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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

UBUNTU "EU SÓ PORQUE NÓS SOMOS"

“Um antropólogo fez uma brincadeira com crianças de uma tribo africana. Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que o primeiro que chegasse junto a árvore ganharia todas as frutas. Dado o sinal, todas as crianças saíram ao mesmo tempo e de mãos dadas! Então sentaram-se juntas para aproveitar a recompensa. Quando o antropólogo perguntou porque elas haviam agido dessa forma, sabendo que um entre eles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam: 
Ubuntu, como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes? 

UBUNTU na cultura Xhosa significa: “Eu sou porque nós somos.”



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Histórias vividas ou inventadas....




Marta sempre gostou de observar as pessoas à sua volta. Cada gesto, cada olhar, apela à sua imaginação para construir uma história.

Desde aquele dia em que passou horas no aeroporto, que esteve deliciada a observar as partidas, as chegadas, as despedidas ...tantas vidas cruzadas. Agora, sempre que pode, volta àquele local, apenas para observar aquele vai vém. A ideia é poder construir algumas histórias inspiradas naquelas pessoas....

O aeroporto é provavelmente um dos lugares mais interessantes em que se pode estar – não por causa do lugar em si, mas por causa das pessoas que estão nele.

Quando estamos num aeroporto, estamos rodeados de indivíduos de todas as esferas, com todo o tipo de histórias.

É nos aeroportos também que se dão algumas das separações mais comoventes e das reuniões mais alegres. Uma filha que vai para outro país para construir uma nova vida, alguém que regressa a casa depois de anos fora para finalmente estar com a sua família – todos os casos são diferentes.

Naquela tarde chuvosa e fria, Marta sentou-se naquele local já habitual para ela, acompanhada pelo seu livro, companheiro de todas as horas.  Mas pouco leu....  Reparou num homem de meia idade que se destacava das outras pessoas, por segurar um ramo de flores e uma caixa de chocolates. Marta ficou a observar e ansiosa por ver quem iria receber aqueles presentes.

Passaram alguns minutos e eis que se aproxima uma mulher também de meia idade, com um semblante ansioso e sorriso aberto... deram alguns abraços apertados e beijos calorosos, deixando claro o romance presente entre os dois.

Marta começou a imaginar a vida deste casal.... seriam casados de longa data, com um amor como há poucos? Ou seriam um casal de viúvos ou divorciados com uma nova história e amor?  Teria ela regressado após alguma longa ausência? As flores representariam as saudades que ele teve dela?

Fosse qual fosse a história, foi um quadro bonito de se ver e Marta já tinha ali inspiração para inventar uma história.



M D
Nov 2019










quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O mar


O mar é espaço da nossa identidade colectiva e um horizonte aberto. Descanso os olhos na sua beleza e perante essa imagem abrem-se os meus sentidos e isso acalma-me.

Há uma magia especial que denuncia um sentimento intemporal.

Queria pegar em algumas palavras para traduzir a ideia dessa magia, mas não consigo adjectivos que possam definir a sua beleza e o seu efeito na minha mente.

Uma magia que traduz sentimentos controversos: a pequenez perante tamanha imensidão, a serenidade, que se transforma por vezes em ira, que provoca o temor contra a sensação de calma na maioria das vezes transmitida, enfim uma infindável mistura de sentimentos.

E é quando ele demonstra a sua fúria, o seu poder sobre a terra parecendo querer engoli-la que se torna assustador e nos reduz a uma indefesa pequenez.
Talvez seja esse poder, que oscila entre a serenidade e a fúria, que nos transmite uma enorme sensação do mistério que nos rodeia, perante tamanha beleza “O mar”.




domingo, 20 de outubro de 2019

"A marioneta" do outro lado do espelho


Acabou. O espectáculo acabou. Ela regressa ao camarim e antes de se despir, senta-se em frente ao espelho.

A imagem que vê reflectida é a de uma boneca, boca em forma de coração, sardas, e tranças espetadas. Os olhos, esses ainda trazem um pouco da magia do palco. 

Mas pouco a pouco vão atraiçoando aquele rosto de boneca e acabam por não condizer com a expressão de marioneta. Começa por desfazer as tranças, desmaquilha-se e aqueles olhos finalmente começam a encaixar no rosto da nova personagem.

Pena que esta personagem seja a verdadeira, a do mundo real. Duas lágrimas deslizam pelo rosto meio desmaquilhado, um rosto ainda entre a marioneta e a personagem real. Ela queria continuar em palco a vida inteira, dar àquelas crianças o seu amor, vê-las sorrir e ficarem encantadas com aquele mundo de magia. Aquele mundo que, por momentos, a faz esquecer a sua solidão, a sua dor.

Mas a realidade está sempre do outro lado do espelho, uma realidade amarga, que já reflecte a imagem de uma mulher triste, com olhar vago e distante.

Daria tudo para, quando se levantasse amanhã e olhasse de novo no espelho, visse apenas a imagem da boneca que a faz feliz, aquela imagem que faz vibrar os corações das crianças, porque em cada rosto de uma criança a sorrir, ela vê o sorriso da filha que perdeu.





sábado, 24 de agosto de 2019

Desabafo


Estás bem? eu estou bem...mas estás mesmo bem? Sim, estou bem...mas aquela lágrima teima em contrariar-me, - sua mentirosa - acusa-me ...quer dizer,  estou mais ou menos. 


Estou bem sim, eu até sou forte. Sim sou forte, mas estou cansada e  assustada. As dores são muitas e eu sinto-me impotente, tenho medo de perder a minha energia, de nunca mais ser como era... eu queria e eu fazia. Agora também vou fazendo, mas a ultrapassar os meus limites... e o medo apodera-se de mim: e se eu não volto a ficar bem? "Mas o que é isso mulher? Nunca fostes de ir abaixo, vai à luta e põe-te fina, melhores dias virão" 

Sim estou mais ou menos, vou andando, aliás até estou bem.

Agosto 2019






terça-feira, 20 de agosto de 2019


Quando pões os teus bracinhos à volta do meu pescoço, com esse olhar de mel e um sorriso que me enche o coração, não resisto a um abracinho apertadinho e doce, tão doce, tão doce que subo ao céu e recordo os abracinhos da tua mãe, quando era da tua idade....

Agosto 2019




quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Um olhar no silêncio



Sorriu, tentando concentrar-se de novo nas chamas alaranjadas e no calor simples e agradável do braço dela. O cabelo tinha um cheiro maravilhoso. Ele teve a impressão de que poderia perder-se nele para sempre.

Permaneceram em silêncio, lado a lado, na penumbra durante alguns minutos.

E ali estava outra vez, ou pelo menos um delicioso laivo, aceso nos olhos dela. E, nisto, ela virou-se um pouco de lado para a janela e a luz cinzenta ensombrou-lhe o semblante.

Sentou-se ao lado dela e fitou, sem ver, a panorâmica de montes e vales. Ela agarrou-se ao braço dele, encostando-o ao seu corpo. Ele sondou-lhe o rosto. Não encontrou palavras que captassem aquilo que estava a ver. Era como se todo o esplendor daquela paisagem se reflectisse na expressão dela e o esplendor da expressão dela se reflectisse na paisagem….



2012




quinta-feira, 25 de julho de 2019

Cumplicidade


O meu nome é Cumplicidade, um bocado estranho não acham? Sei lá porque me chamaram assim. Só sei que todos gostam de mim e eu gosto de toda a gente, mas de quem eu mais gosto é do meu Amor.

Naquele dia estava eu muito bem sentada, à espera que o Amor chegasse. E já desesperava de tanto esperar, mas porque tardaria ele? O melhor mesmo era escutar aquela canção e lá me deixei embalar….. lá la lá….”o Amor”,  as palavras da canção explodem-me na cabeça…. sei lá o que querem dizer …será que conhecem o meu Amor? Mas depois falam em afeição, amizade, carinho, fraternidade e depois dizem que tudo se resume ao Amor. Então mas conhecem o meu Amor? Assim a gritarem bem alto o seu nome. Estranho…  o meu Amor assim tão conhecido.

E eis que ele chega, apressado, e ostentando aquele ar de luminosa serenidade me beija afectuosamente como só ele sabe fazer. Não interessava saber porque tinha tardado, interessava sim que estava agora a meu lado, proporcionando momentos de uma proximidade serena, e ele dizia-me baixinho: só contigo “Cumplicidade” sinto esta paz e harmonia.

O Amor e a Cumplicidade são felizes, e são felizes para sempre como nos livros, enquanto os dois viverem lado a lado.


MD
2012






quarta-feira, 17 de julho de 2019

Humor erudito

O Bocage também sabia ter um sentido de humor mais erudito:

-Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal.
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo… mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
-Doutor, afinal levo ou deixo os patos? 😁😁




sexta-feira, 12 de julho de 2019

Os "Baixinhos" no supermercado


  

Nas compras, nós os baixinhos, às vezes, também sofremos um pouco.

Naquele dia até tinha pressa e de compras quase feitas, passei ao corredor dos artigos de limpeza.  Entre pensamentos: - porque vim ao hiper, enorme para comprar poucas coisas, ando kilómetros entre corredores, em busca do pretendido, bom, mas como sei onde está o que preciso, vai ser mais rápido.

Rápido, rápido foi apenas uma maneira de dizer, ou melhor de pensar, porque ao encontrar o artigo desejado, reparo que está muito acima da minha cabeça e ainda por cima muito “enterrado” lá para o fundo da prateleira -que azar o meu- olho à minha volta a ver se está algum empregado para me ajudar, mas nada, penso em pedir ajuda a alguém, mas o corredor está vazio; ora se está vazio, ninguém me vê e  aproveito para me empoleirar numa prateleira e zás calculo que ja lá chego...... pois é, chegar eu até chego, mas como o raio do artigo está enfiado lá para o fundo, ainda não o consigo alcançar, e agora?

Agora estou pendurada na prateleira e os artigos nas prateleiras de baixo a escorregarem para o chão.... e se o corredor estava vazio, com o barulho começam a aparecer pessoas e eu com o susto escorrego mesmo, e só não bato com o nariz no chão, porque me sinto agarrada por alguém ....

No final só me resta mesmo rir da minha figura, sim porque os baixinhos também podem ter sentido de humor para se rirem deles próprios ....  




In “A Saga dos Baixinhos”


M D
2019








terça-feira, 9 de julho de 2019

Saudade




O céu abriu-se e martelou a terra, bombardeando um tapete de poças silenciosas, como a memória bombardeia mentes silenciosas. A erva parecia satisfeita no seu verde húmido. A chuva começou a bater nas vidraças e o vento a assobiar com ritmo. Ela permaneceu sentada a olhar o vazio, as lágrimas embaciavam-lhe os óculos e tremiam-lhe no queixo como gotas de chuva no beiral. Aquela dor doía-lhe bem fundo. O rosto parecia pedra, mas as lágrimas continuavam a rolar pelas faces rígidas. O seu coração transbordava de “saudade”, uma saudade sem resposta e por isso se transformava num pequeno rio a brotar dos seus olhos.

De súbito, bateram à porta e ela ficou alguns segundos sem se mexer, sentia-se tão rígida que nem sabia se era capaz de se levantar. Voltaram a bater e então ela deu um salto e arrastou-se finalmente.

Com uma carta na mão, tremia dos pés à cabeça, hesitante entre abri-la ou se sentar primeiro. E assim demorou mais uns minutos, trémula de hesitação, amedrontada pela expectativa do seu conteúdo. Sentou-se primeiro, acomodou-se, ajeitou os óculos, suspirou ….Entretanto a chuva parou, o vento amainou e os olhos dela secaram, na esperança de voltarem a sorrir.

Aquela carta, já aberta, tremia-lhe nas mãos, tanto que, nem conseguia ler direito e só quando os seus olhos pararam naquela linha mais curta que as restantes, naquelas duas pequenas palavras, ela conseguiu continuar a ler.

Lá fora a chuva tinha parado e até o Sol voltava a espreitar de encontro à janela. O seu rosto já não estava rígido, porque dos seus lábios surgia agora um sorriso; já conseguia ler tudo, mas o seu olhar ficava parado e deliciado apenas naquelas palavras mágicas: Amo-te mãe!



In "Abraço-te" 

Maria Dias
Maio 2012





segunda-feira, 8 de julho de 2019

Os baixinhos chegam onde chegam os grandes, será mesmo assim?


Sou baixinha pois sou e então? Os meus pais perderam muito tempo com alguns detalhes e a pôr tudo no lugar e depois esqueceram-se de acrescentar o fermento. Só pode ter sido isso.

Quando somos mais novas não tem importância, sempre a ouvir: ah e tal  é mesmo uma boneca, tão gira.... depois,  o tempo passa e esses comentários escasseiam, até desaparecerem por completo..... 

Mas os baixinhos chegam  sempre onde chegam os grandes;  sim claro, se tiverem um banquinho por perto, senão estão tramados..... 

Ah pois é, estão mesmo tramados, se vão a um concerto ou a qualquer espectáculo, ou ficam na frente ou então passam o tempo todo aos saltinhos ou a pôr a cabeça ora para a esquerda, ora para a direita, num desassossego enervante, que provoca comichões e até chegam a pensar “mais valia ter ficado em casa”

Se engordam mais um pouco, ficam umas bolas, se ficam muito magros,  são uns enfezados; -não que me possa queixar porque estou entre os dois -, mas sempre a pensar, se um dia engordo muito, lá viro eu uma bolinha, se fosse alta talvez ficasse um mulherão.

Se um homem alto anda com uma mulher baixa, até que disfarça, mas se for ao contrário lá vêm as piadas, algumas até grosseiras....

Bom o facto é que os homens não se medem aos palmos, medem-se em centímetros e as mulheres arranjam alguns  extras nos saltos, agora os homens ficam mesmo em desvantagem.


Mas não me importo, porque, tal como dizia o poeta Fernando Pessoa, eu “sou do tamanho do que vejo”.....





In "A Saga dos Baixinhos"


M D
Junho 2017



sábado, 1 de junho de 2019

Dia da criança

Hoje é dia mundial da criança, o meu desejo é que todos os dias sejam dias da criança e de todas as crianças. QUE TODAS TENHAM O "DIREITO" A SORRIR!

Hoje, é um dia muito especial para mim, porque tive o privilégio de ter sido mãe nesse dia. 

Os meus filhos serão eternamente as minhas crianças.


Parabéns Filha

Passaram alguns anos desde o dia em que me deste a alegria de ser mãe pela primeira vez. Agora já entendes melhor esse sentimento. 

Continuaste sempre a dar-me muitas alegrias pela vida fora. E eu continuo a sentir muito orgulho em ti. Porque sempre foste e continuas a ser lutadora e determinada. Parabéns minha querida, hoje é o teu dia. 

Para ti eu só quero uma coisa, que sejas FELIZ.





quarta-feira, 29 de maio de 2019


Hoje lembrei-me de ti, nem sei bem porquê.  Talvez porque gostasse de partilhar contigo alguns acontecimentos da minha vida. Não é nenhuma data em especial, mas lembrei-me de ti. Lembrei-me dos momentos que passámos juntas na nossa juventude, das horas de risadas, sim,  porque juntas nós riamos  por tudo e por nada e por isso éramos felizes. Passaram alguns anos e seguimos caminhos diferentes, mas sempre em contacto.

A vida não te sorriu grande coisa, pois não amiga? Merecias mais, um pouco mais. E ainda por cima partiste tão cedo, um choque para todos. Ainda recordo do telefonema da tua mãe, a chorar e a tentar dizer, que em vez de receber a novidade da tua chegada de férias, recebeu a triste noticia da tua morte. Pobre mãe...sofreu tanto. Ficámos todos em choque.

Hoje seria tão bom contar-te que a tua afilhada já foi mãe, e que eu já sou avó de um menino lindo. E poder partilhar contigo tanta coisa. Um dia talvez nos reencontremos até lá fica a saudade.

Maio 2019






domingo, 26 de maio de 2019

Tenho rugas...


Olhei para o espelho e descobri que tinha muitas rugas, em volta dos olhos, na boca, na testa.
Eu tenho rugas porque eu tive amigos... e nós rimos, mas tanto, até às lágrimas.
Eu tenho rugas porque conheci o amor que me fez espremer os olhos de alegria.
Eu tenho rugas porque tive filhos e fiquei preocupada com eles desde a concepção, mas também porque sorri para todas as suas novas descobertas e porque passei muitas noites em claro....

Tenho rugas porque eu também chorei...
Chorei pelas pessoas que amei e que foram embora, por pouco tempo ou para sempre, sabendo ou sem saber o porquê.

Tenho rugas porque passei horas sem dormir para observar os projetos que correram bem... mas também para cuidar a febre das crianças, para ler um livro ou fazer amor.
Vi lugares lindos, novos, que me fizeram abrir a boca espantada e ver os lugares antigos, antigos, que me fizeram chorar.
Dentro de cada sulco no meu rosto e no meu corpo, se esconde a minha história... se escondem as emoções que vivi... a minha beleza mais íntima.
E se apagar isso, apago a mim mesma.
Cada ruga é uma anedota da minha vida, uma batida do meu coração, o álbum de fotos das minhas memórias mais importantes!!!



Autor desconhecido







quinta-feira, 16 de maio de 2019

Quem disse que a idade está na cabeça?

Hoje surgiu-me uma memória, obrigada Graça Tomaz pela partilha:

Não posso deixar de partilhar este 

Texto tão verdadeiro da minha amiga Maria Dias .


"Quem disse que a idade está na cabeça?
Quem disse que a idade está na cabeça? É que às vezes, ou a maior parte das vezes, o corpo é quem manda. A cabeça bem quer ser jovem, mas o corpo não deixa.

Há dias em que me levanto e a minha cabeça me diz que tenho 30 anos e eu levo um daqueles dias, cheio de afazeres, ginásio, aulas, vida doméstica, num corre, corre, cheia de energia e depois no final do dia o meu corpo lembra-me que tenho 60. É um desmancha prazeres, é isso que ele é.... custa-lhe alguma coisa deixar-me viver na ilusão mais algum tempo...

E depois, se dói aqui ou ali, a culpa é do tempo, porque é uma grande instabilidade, ora faz frio, ora faz calor, mas eu quando tinha 30, o meu corpo não dava pelas mudanças bruscas de temperatura. O meu corpo nem se importava com o que a cabeça pensava, porque se sentia bem na sua plenitude. Sentia-se forte, cheio de energia, sempre pronto para mexer....era um aliado à juventude da cabeça.

Agora está de costas voltadas para a cabeça, já nem quer saber se ela quer ter 30, 40 ou 50.

Às vezes faz-lhe a vontade e deixa-a gozar aquela sensação de “eu quero, eu posso, eu faço”, mas depois prega-lhe a partida e pergunta-lhe: ah julgas-te nova não é, estás esquecida que os 30 já lá vão, só tens mais 30 em cima, então toma lá uma dorzita para te lembrares, deixa cá ver onde vai ser....pode ser na zona lombar....ah... e aviso-te já...se continuas a abusar, amanhã vai doer-te a cervical também.

E depois dizem que a idade está na cabeça... 

Só se for com muita persistência para conseguir ultrapassar a má vontade do corpo em relação a isso. Temos que o contrariar. Tenho uma dor aqui e outra ali, eu sei que já não tenho 30, mas posso ir, posso fazer, posso passear, o que não posso é abusar, senão o corpo vinga-se.


Temos que ir gerindo esta relação amor ódio entre a cabeça e o corpo. É que a cabeça não se pode iludir demasiado, em vez de 30 tem que pensar que tem uns 50 saudáveis e ir enganando o corpo.

Eu digo-lhe baixinho: Olha lá eu sei q tenho 60, mas tem lá calma, não contraries muito a minha cabeça, eu também vou com calma, mas quero ir, quero fazer, ainda quero viver."


Maria Dias
15/Maio/2017


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Seria bom que fosse possível "Reapaixonarmo-nos" todos os dias por quem já está ao nosso lado

Essa mania que temos de enjoar das coisas e das pessoas nos leva a grandes perdas. Parece que estamos sempre esperando mais, querendo outra coisa, e desse modo não conseguimos desfrutar o que já temos, o que já conquistamos. Nutrir sonhos e ser ambicioso é positivo, mas somente olhar para o que se quer muitas vezes nos cega frente a tudo o que já possuímos.
Em meio a essa frenética busca pelo que almejamos infelizmente podemos acabar nos distanciando de pessoas que estão junto de nós e que nos ajudaram a conquistar o que temos e somos hoje. Desgastamos, assim, um relacionamento que nos fortaleceu, de tanto que nossos olhos só parecem enxergar lá na frente, tornando-nos cegos em relação a quem já está ao nosso lado, lutando e sonhando connosco há um bom tempo.
De tanto ansiarmos pelo novo em nossas vidas, às vezes deixamos de valorizar o que já é parte do nosso dia a dia, descuidando-nos das várias riquezas que a vida nos concedeu. Por isso tantos relacionamentos deixam de ser amorosos para se tornarem um descompasso de ideias, desejos e objetivos. Por essa razão é que muitas vezes deixamos escapar por entre os dedos o amor maior de nossas vidas, em troca de infidelidades efémeras e vazias de afetividade.
Por quê procurar alguém lá fora quando já existe alguém que nos ama e dedica parte de sua vida à nossa? Por que achar que todo o amor que um dia uniu dois corações apaixonados morre de uma hora para outra, sem possibilidades de renovação? Por quê parar de sorrir para a pessoa que dorme ao nosso lado, de roubar-lhe beijos furtivos, de tocar-lhe as mãos, de perguntar-lhe como se sente, de enviar-lhe mensagens apaixonadas e declarar o nosso amor e admiração?
Os sentimentos podem parecer adormecidos, dada a carga de trabalho excessiva e de preocupações que se avolumam em nossa vida, mas se já houve amor sincero, possivelmente ainda há uma fagulha dele que possa ser reacesa. Precisamos ser gratos à pessoa que esteve ao nosso lado por tempos, pois tudo o que obtivemos e construímos deve-se a ela também. Gratos e dispostos a reencontrar dentro de nós os sentimentos que pareciam perdidos, porque provavelmente o amor está entre eles, esperando por força e motivação de nossa parte.
Amores acabam, sim, mas não é fácil algo tão pungente e mágico, como o é um amor verdadeiro, arrefecer por completo. Não podemos deixar o tempo transformar em túmulo os nossos desejos, principalmente em relação a alguém que entrou na nossa história e a tornou melhor e mais completa. É preciso acordar disposto a alimentar o amor, todos os dias, a qualquer momento, onde estiver. É preciso lembrar que estamos juntos com alguém que pelo menos já foi o amor de nossas vidas, e que muito provavelmente sempre o será.
Cultivemos os sentimentos que nos uniram com nosso amado, dedicando-lhe parte significativa de nossa atenção, de nosso olhar, de nossa vida. Se acalmarmos os nossos passos e não permitirmos que a frieza do mundo lá fora adentre nossos sentidos, estaremos prontos para amar de novo e de novo quem sempre esteve ali bem juntinho, nos momentos de gozo e de sofrimento, lutando por nós e acreditando em nossos sonhos.

O amor possui uma força descomunal e uma capacidade inesgotável de se reinventar...

Ele significa nossa vida, tornando-a sempre mais gostosa de se viver, junto às pessoas que nos amam de verdade. Antes de desistirmos, portanto, é preciso que busquemos nos apaixonar e nos reapaixonar pelos olhos cúmplices que buscarão pelos nossos todos os dias, até o fim de nossas vidas.


Graduado em Letras e Mestre em “História, Filosofia e Educação” pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica.

terça-feira, 26 de março de 2019

Uma viagem que poderia ser denominada “Na rota dos meus antepassados”


Eu tenho um sonho. Gostava de fazer uma viagem, mas não é uma viagem qualquer.

Uma viagem que poderia ser denominada  “Na rota dos meus antepassados”

Seria uma viagem no tempo. Desde já afirmo que não quero ir ao futuro, isso nem pensar... o que eu quero mesmo é ir ao passado.

Já tenho feito alguns percursos, mas ainda nao consegui ir muito longe.

Essa viagem de sonho tinha que ser longa e distante. Gostava de viajar de geração em geração, poder conhecer os meus antepassados. Uma viagem na história da família saltando de época em época.

Depois parar na infância dos meus pais até chegar à minha. Demorar-me até me apetecer, tentar perceber até que ponto a minha herança genética e cultural tem o poder de influenciar a minha vida.

Já alguma vez pensaram de onde vieram? Eu já e gostaria de partir em busca da árvore da vida. Não só da minha vida, mas poder observar certas eras que marcaram a história da humanidade.

Eu sei que é um sonho, mas não custa sonhar......







sexta-feira, 22 de março de 2019

Humanidade desumana


O que se passa com o ser humano? Porque é que o animal racional age desumanamente, tornando-se cruel, mesmo estando inserido numa sociedade? Ou será que é por isso que o seu lado racial supera tudo o que possa haver de bom no ser humano. O homem que ainda não aprendeu a respeitar a existência alheia. 

Porque será que o homem pode tanto e atinge tão pouco? Porque o homem se está a transformar numa espécie capaz de cometer actos bárbaros por prazer ou por não se importar com a dor alheia?

Será que está na hora de inventar uma nova humanidade? Uma espécie humana que saiba respeitar o outro.