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sexta-feira, 6 de março de 2020

O amor e a cumplicidade


O meu nome é Cumplicidade, um bocado estranho não acham? Sei lá porque me chamaram assim. Só sei que todos gostam de mim e eu gosto de toda a gente, mas de quem eu mais gosto é do meu Amor.

Naquele dia estava eu muito bem sentada, à espera que o Amor chegasse. E já desesperava de tanto esperar, mas porque tardaria ele? O melhor mesmo era escutar aquela canção e lá me deixei embalar….. lá la lá….”o Amor”,  as palavras da canção explodem-me na cabeça…. sei lá o que querem dizer …será que conhecem o meu Amor? Mas depois falam em afeição, amizade, carinho, fraternidade e depois dizem que tudo se resume ao Amor. Então mas conhecem o meu Amor? Assim a gritarem bem alto o seu nome. Estranho…  o meu Amor assim tão conhecido.

E eis que ele chega, apressado, e ostentando aquele ar de luminosa serenidade me beija afectuosamente como só ele sabe fazer. Não interessava saber porque tinha tardado, interessava sim que estava agora a meu lado, proporcionando momentos de uma proximidade serena, e ele dizia-me baixinho: só contigo “Cumplicidade” sinto esta paz e harmonia.

O Amor e a Cumplicidade são felizes, e são felizes para sempre como nos livros, enquanto os dois viverem lado a lado.


M D
2012 




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

E o tempo vai passando....


Às vezes perdemos muito tempo à espera. Muito tempo à espera de um amor, muito tempo à espera de sermos felizes, muito tempo à espera da pessoa perfeita, muito tempo à espera que tudo se resolva. Mas sabem uma coisa? A felicidade não gosta muito das pessoas que esperam, normalmente até as evita. Sabem de quem é que ela gosta mesmo? Das pessoas que vão atrás, das que a procuram e das que lutam por ela. Todos nós gostamos que lutem por nós, e a felicidade, não é excepção. Ser feliz dá muito trabalho, e por isso a primeira barreira a ser ultrapassada é a preguiça. Este bicho que nos agarra com força à cadeira e à cama, sempre com a intenção de nos impedir de lutar pelos nossos sonhos e de correr atrás da felicidade. Quem espera sempre alcança, mas alcança o quê? Eu gostava muito de saber. Desconfio de que não alcança coisa nenhuma, talvez uma vida desperdiçada a olhar pela janela à espera que a chuva passe. Se parar é morrer, esperar é ir morrendo.

In “Larga quem não te agarra”
de Raul Minh’alma


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

"O PARA SEMPRE"


As pessoas quando começam uma relação querem muito que seja para sempre, e isso fá-las acreditar que será mesmo para sempre. E depois, quando acontece uma discussão mais pesada ou uma incompatibilidade mais forte, desistem logo. Porquê? Porque não se imaginam a viver assim “o para sempre”  que sonharam. Logo, nas suas cabeças, não poderá ser aquela “a tal pessoa”, e acabam a relação. Mas “o para sempre” dos contos de fadas não é igual ao da vida real. Na vida real “o para sempre” faz-se todos os dias, dia a dia, bocadinho a bocadinho. Faz-se de discussões ultrapassadas, de defeitos imutáveis aceites, de cedências, de erros que merecem ser perdoados, e de erros que têm de ser corrigidos, corrigidos. Faz-se até de muitos “nunca mais”. Um “para sempre” não se conquista, vai-se conquistando. E é isso que as pessoas têm de entender para não passarem a vida a experimentar aqui e acolá e a tentar aqui e acolá, à espera de encontrar, o encaixe perfeito.

In “Larga quem não te agarra”
de Raul Minh’alma






terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Quem disse que a idade está na cabeça? (Parte 2)




Pois é, a idade está na cabeça, é o que dizem, não é? eu continuo a pensar que, às vezes, aliás a maior parte das vezes, o corpo é que manda.

Na verdade não penso muito na minha idade  e já tenho dado por mim a fazer contas quando tenho que preencher algum documento, isto porque, quando era jovem achava que me sentiria uma velha com esta idade e não sinto mesmo.... se bem que....há situações em que nos apercebemos que não é bem assim e que não há volta a dar.

Ainda ontem, cá em casa, foi uma cena de filme, uma  comédia ou um drama, tudo depende da perspectiva; podendo se resumir por aquela frase “não sei é para rir ou para chorar”.

De braço ao peito (quem mandou cair e partir o pulso, ainda por cima  no fim de semana de aniversário de casamento) e agora super engripada, farta de estar na cama, resolvo esticar-me no sofá, tarefa nada fácil..... não esquecer os objectos precisos para não levantar tão cedo, sim tudo à mão, telemóvel, comando da televisão, óculos, lenços, posso arranjar as almofadas e puxar da manta....ah sossego e conforto, boa alternativa à cama sim.

Logo de imediato toca o telefone, pois o fixo, que esqueci de trazer para junto de mim.
Levanto-me de um salto, para não importunar o marido que está na cama, ainda mais engripado que eu, ainda naquela fase de dormir, delirar, dormir.  Bom, estive ao telefone algum tempo e mal desliguei tentei acomodar me de novo, uma cena tão fácil mas que se tornou em algo bem complicado...
Almofadas daqui e dali, tapa os pés e pernas com a manta, comando, o pingo ai o lenço, o telemóvel, agora também fica aqui o fixo, está tudo creio, posso ver o filme ....ups mensagem a piscar, agarro no telemóvel e não vejo nada...e agora onde estão os óculos?
Tão bem acomodada e ter de me levantar de novo. Corro tudo à procura dos óculos, até a mão na cabeça ponho, não seria a primeira vez....
Quero ler e responder à mensagem, os óculos nada.... bom vamos à lei do desenrasca, vou ao quarto buscar uns óculos que por lá estão,  ah bolas não dão, então vou ao saco do ginásio onde tenho um daqueles da farmácia só para uma emergência e finalmente consigo ler e responder à minha prima, que se riu com a situação.
E acabo por descobrir que, aquele tempo em que tirava os óculos para ler e ver ao perto “melhor”, já era, acabou. Agora ou tenho os óculos prontos ou fico às escuras. Levanto a cabeça e olho para a televisão e reconheço que não vejo a imagem com clareza, que diabo agora também preciso de óculos para ver ao longe? Isto já ultrapassa aquela fase de óculos para ler, que até dá um certo charme.
Então dou comigo a experimentar os óculos que trouxe do quarto e a olhar para a televisão, olha funcionam. E eis que começa a maratona: põe óculos para conversar com a prima no msgr, tira os óculos e põe os outros para ver a televisão... plim, plim ela escreve qq coisa, tira óculos de ver a televisão e põe óculos para ler a mensagem, e assim sucessivamente durante uns escassos minutos, mas que foram suficientes para ficar cansada, com a cabeça à roda e vontade de ir à casa de banho.
Tão bem acomodada que estava agora, mas tenho de me levantar e ai vou eu à casa de banho, a refilar  pelo caminho...
Quando regresso olho para o outro sofá e vejo os meus óculos, bem à vista.... dizem que elas não existem, mas...

Volto a pegar em tudo que tenho de ter à mão e tento acomodar-me de novo, tarefa difícil, para mais agora com mais um par de óculos.....

Quando o marido vem à sala julga que está a delirar porque vê a sua doida mulher, embrulhada nas mantas, comandos e telemóvel e rodeada de óculos e isto tudo só com uma mão, safa,  nem doente e maneta ela sossega ....

E é isto, a minha cabeça bem quer ser jovem, mas depois o corpo não deixa!



Janeiro 2020






sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

NATAL



Do que gosto do Natal são as boas recordações e magia que me ficaram da infância, da minha e mais tarde dos meus filhos; depois o tempo passou e alguns anos menos bons fizeram-me odiar o Natal; talvez "odiar" seja uma palavra demasiado forte....
Não gosto do consumismo, não gosto do que se faz por obrigação, não gosto das ausências dos que já partiram, não gosto de saber que nem todas as crianças têm o direito a sorrir....

Apesar dos lugares vagos à mesa, ausências sentidas, mas sempre presentes no meu coração, ainda quero evocar as recordações mais ternas: o cheirinho gostoso do lar, o aconchego, o carinho, o abraço terno, a partilha e a magia das crianças...


“Que em cada um de nós possa nascer ou renascer o poder de amar”

“Que em cada um de nós haja o desejo de partilha”

“Que todas as crianças do mundo tenham o direito a sorrir”






terça-feira, 10 de dezembro de 2019

UBUNTU "EU SÓ PORQUE NÓS SOMOS"

“Um antropólogo fez uma brincadeira com crianças de uma tribo africana. Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que o primeiro que chegasse junto a árvore ganharia todas as frutas. Dado o sinal, todas as crianças saíram ao mesmo tempo e de mãos dadas! Então sentaram-se juntas para aproveitar a recompensa. Quando o antropólogo perguntou porque elas haviam agido dessa forma, sabendo que um entre eles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam: 
Ubuntu, como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes? 

UBUNTU na cultura Xhosa significa: “Eu sou porque nós somos.”



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Histórias vividas ou inventadas....




Marta sempre gostou de observar as pessoas à sua volta. Cada gesto, cada olhar, apela à sua imaginação para construir uma história.

Desde aquele dia em que passou horas no aeroporto, que esteve deliciada a observar as partidas, as chegadas, as despedidas ...tantas vidas cruzadas. Agora, sempre que pode, volta àquele local, apenas para observar aquele vai vém. A ideia é poder construir algumas histórias inspiradas naquelas pessoas....

O aeroporto é provavelmente um dos lugares mais interessantes em que se pode estar – não por causa do lugar em si, mas por causa das pessoas que estão nele.

Quando estamos num aeroporto, estamos rodeados de indivíduos de todas as esferas, com todo o tipo de histórias.

É nos aeroportos também que se dão algumas das separações mais comoventes e das reuniões mais alegres. Uma filha que vai para outro país para construir uma nova vida, alguém que regressa a casa depois de anos fora para finalmente estar com a sua família – todos os casos são diferentes.

Naquela tarde chuvosa e fria, Marta sentou-se naquele local já habitual para ela, acompanhada pelo seu livro, companheiro de todas as horas.  Mas pouco leu....  Reparou num homem de meia idade que se destacava das outras pessoas, por segurar um ramo de flores e uma caixa de chocolates. Marta ficou a observar e ansiosa por ver quem iria receber aqueles presentes.

Passaram alguns minutos e eis que se aproxima uma mulher também de meia idade, com um semblante ansioso e sorriso aberto... deram alguns abraços apertados e beijos calorosos, deixando claro o romance presente entre os dois.

Marta começou a imaginar a vida deste casal.... seriam casados de longa data, com um amor como há poucos? Ou seriam um casal de viúvos ou divorciados com uma nova história e amor?  Teria ela regressado após alguma longa ausência? As flores representariam as saudades que ele teve dela?

Fosse qual fosse a história, foi um quadro bonito de se ver e Marta já tinha ali inspiração para inventar uma história.



M D
Nov 2019










quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O mar


O mar é espaço da nossa identidade colectiva e um horizonte aberto. Descanso os olhos na sua beleza e perante essa imagem abrem-se os meus sentidos e isso acalma-me.

Há uma magia especial que denuncia um sentimento intemporal.

Queria pegar em algumas palavras para traduzir a ideia dessa magia, mas não consigo adjectivos que possam definir a sua beleza e o seu efeito na minha mente.

Uma magia que traduz sentimentos controversos: a pequenez perante tamanha imensidão, a serenidade, que se transforma por vezes em ira, que provoca o temor contra a sensação de calma na maioria das vezes transmitida, enfim uma infindável mistura de sentimentos.

E é quando ele demonstra a sua fúria, o seu poder sobre a terra parecendo querer engoli-la que se torna assustador e nos reduz a uma indefesa pequenez.
Talvez seja esse poder, que oscila entre a serenidade e a fúria, que nos transmite uma enorme sensação do mistério que nos rodeia, perante tamanha beleza “O mar”.




domingo, 20 de outubro de 2019

"A marioneta" do outro lado do espelho


Acabou. O espectáculo acabou. Ela regressa ao camarim e antes de se despir, senta-se em frente ao espelho.

A imagem que vê reflectida é a de uma boneca, boca em forma de coração, sardas, e tranças espetadas. Os olhos, esses ainda trazem um pouco da magia do palco. 

Mas pouco a pouco vão atraiçoando aquele rosto de boneca e acabam por não condizer com a expressão de marioneta. Começa por desfazer as tranças, desmaquilha-se e aqueles olhos finalmente começam a encaixar no rosto da nova personagem.

Pena que esta personagem seja a verdadeira, a do mundo real. Duas lágrimas deslizam pelo rosto meio desmaquilhado, um rosto ainda entre a marioneta e a personagem real. Ela queria continuar em palco a vida inteira, dar àquelas crianças o seu amor, vê-las sorrir e ficarem encantadas com aquele mundo de magia. Aquele mundo que, por momentos, a faz esquecer a sua solidão, a sua dor.

Mas a realidade está sempre do outro lado do espelho, uma realidade amarga, que já reflecte a imagem de uma mulher triste, com olhar vago e distante.

Daria tudo para, quando se levantasse amanhã e olhasse de novo no espelho, visse apenas a imagem da boneca que a faz feliz, aquela imagem que faz vibrar os corações das crianças, porque em cada rosto de uma criança a sorrir, ela vê o sorriso da filha que perdeu.





sábado, 24 de agosto de 2019

Desabafo


Estás bem? eu estou bem...mas estás mesmo bem? Sim, estou bem...mas aquela lágrima teima em contrariar-me, - sua mentirosa - acusa-me ...quer dizer,  estou mais ou menos. 


Estou bem sim, eu até sou forte. Sim sou forte, mas estou cansada e  assustada. As dores são muitas e eu sinto-me impotente, tenho medo de perder a minha energia, de nunca mais ser como era... eu queria e eu fazia. Agora também vou fazendo, mas a ultrapassar os meus limites... e o medo apodera-se de mim: e se eu não volto a ficar bem? "Mas o que é isso mulher? Nunca fostes de ir abaixo, vai à luta e põe-te fina, melhores dias virão" 

Sim estou mais ou menos, vou andando, aliás até estou bem.

Agosto 2019






terça-feira, 20 de agosto de 2019


Quando pões os teus bracinhos à volta do meu pescoço, com esse olhar de mel e um sorriso que me enche o coração, não resisto a um abracinho apertadinho e doce, tão doce, tão doce que subo ao céu e recordo os abracinhos da tua mãe, quando era da tua idade....

Agosto 2019




quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Um olhar no silêncio



Sorriu, tentando concentrar-se de novo nas chamas alaranjadas e no calor simples e agradável do braço dela. O cabelo tinha um cheiro maravilhoso. Ele teve a impressão de que poderia perder-se nele para sempre.

Permaneceram em silêncio, lado a lado, na penumbra durante alguns minutos.

E ali estava outra vez, ou pelo menos um delicioso laivo, aceso nos olhos dela. E, nisto, ela virou-se um pouco de lado para a janela e a luz cinzenta ensombrou-lhe o semblante.

Sentou-se ao lado dela e fitou, sem ver, a panorâmica de montes e vales. Ela agarrou-se ao braço dele, encostando-o ao seu corpo. Ele sondou-lhe o rosto. Não encontrou palavras que captassem aquilo que estava a ver. Era como se todo o esplendor daquela paisagem se reflectisse na expressão dela e o esplendor da expressão dela se reflectisse na paisagem….



2012




quinta-feira, 25 de julho de 2019

Cumplicidade


O meu nome é Cumplicidade, um bocado estranho não acham? Sei lá porque me chamaram assim. Só sei que todos gostam de mim e eu gosto de toda a gente, mas de quem eu mais gosto é do meu Amor.

Naquele dia estava eu muito bem sentada, à espera que o Amor chegasse. E já desesperava de tanto esperar, mas porque tardaria ele? O melhor mesmo era escutar aquela canção e lá me deixei embalar….. lá la lá….”o Amor”,  as palavras da canção explodem-me na cabeça…. sei lá o que querem dizer …será que conhecem o meu Amor? Mas depois falam em afeição, amizade, carinho, fraternidade e depois dizem que tudo se resume ao Amor. Então mas conhecem o meu Amor? Assim a gritarem bem alto o seu nome. Estranho…  o meu Amor assim tão conhecido.

E eis que ele chega, apressado, e ostentando aquele ar de luminosa serenidade me beija afectuosamente como só ele sabe fazer. Não interessava saber porque tinha tardado, interessava sim que estava agora a meu lado, proporcionando momentos de uma proximidade serena, e ele dizia-me baixinho: só contigo “Cumplicidade” sinto esta paz e harmonia.

O Amor e a Cumplicidade são felizes, e são felizes para sempre como nos livros, enquanto os dois viverem lado a lado.


MD
2012






quarta-feira, 17 de julho de 2019

Humor erudito

O Bocage também sabia ter um sentido de humor mais erudito:

-Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal.
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo… mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
-Doutor, afinal levo ou deixo os patos? 😁😁




sexta-feira, 12 de julho de 2019

Os "Baixinhos" no supermercado


  

Nas compras, nós os baixinhos, às vezes, também sofremos um pouco.

Naquele dia até tinha pressa e de compras quase feitas, passei ao corredor dos artigos de limpeza.  Entre pensamentos: - porque vim ao hiper, enorme para comprar poucas coisas, ando kilómetros entre corredores, em busca do pretendido, bom, mas como sei onde está o que preciso, vai ser mais rápido.

Rápido, rápido foi apenas uma maneira de dizer, ou melhor de pensar, porque ao encontrar o artigo desejado, reparo que está muito acima da minha cabeça e ainda por cima muito “enterrado” lá para o fundo da prateleira -que azar o meu- olho à minha volta a ver se está algum empregado para me ajudar, mas nada, penso em pedir ajuda a alguém, mas o corredor está vazio; ora se está vazio, ninguém me vê e  aproveito para me empoleirar numa prateleira e zás calculo que ja lá chego...... pois é, chegar eu até chego, mas como o raio do artigo está enfiado lá para o fundo, ainda não o consigo alcançar, e agora?

Agora estou pendurada na prateleira e os artigos nas prateleiras de baixo a escorregarem para o chão.... e se o corredor estava vazio, com o barulho começam a aparecer pessoas e eu com o susto escorrego mesmo, e só não bato com o nariz no chão, porque me sinto agarrada por alguém ....

No final só me resta mesmo rir da minha figura, sim porque os baixinhos também podem ter sentido de humor para se rirem deles próprios ....  




In “A Saga dos Baixinhos”


M D
2019








terça-feira, 9 de julho de 2019

Saudade




O céu abriu-se e martelou a terra, bombardeando um tapete de poças silenciosas, como a memória bombardeia mentes silenciosas. A erva parecia satisfeita no seu verde húmido. A chuva começou a bater nas vidraças e o vento a assobiar com ritmo. Ela permaneceu sentada a olhar o vazio, as lágrimas embaciavam-lhe os óculos e tremiam-lhe no queixo como gotas de chuva no beiral. Aquela dor doía-lhe bem fundo. O rosto parecia pedra, mas as lágrimas continuavam a rolar pelas faces rígidas. O seu coração transbordava de “saudade”, uma saudade sem resposta e por isso se transformava num pequeno rio a brotar dos seus olhos.

De súbito, bateram à porta e ela ficou alguns segundos sem se mexer, sentia-se tão rígida que nem sabia se era capaz de se levantar. Voltaram a bater e então ela deu um salto e arrastou-se finalmente.

Com uma carta na mão, tremia dos pés à cabeça, hesitante entre abri-la ou se sentar primeiro. E assim demorou mais uns minutos, trémula de hesitação, amedrontada pela expectativa do seu conteúdo. Sentou-se primeiro, acomodou-se, ajeitou os óculos, suspirou ….Entretanto a chuva parou, o vento amainou e os olhos dela secaram, na esperança de voltarem a sorrir.

Aquela carta, já aberta, tremia-lhe nas mãos, tanto que, nem conseguia ler direito e só quando os seus olhos pararam naquela linha mais curta que as restantes, naquelas duas pequenas palavras, ela conseguiu continuar a ler.

Lá fora a chuva tinha parado e até o Sol voltava a espreitar de encontro à janela. O seu rosto já não estava rígido, porque dos seus lábios surgia agora um sorriso; já conseguia ler tudo, mas o seu olhar ficava parado e deliciado apenas naquelas palavras mágicas: Amo-te mãe!



In "Abraço-te" 

Maria Dias
Maio 2012





segunda-feira, 8 de julho de 2019

Os baixinhos chegam onde chegam os grandes, será mesmo assim?


Sou baixinha pois sou e então? Os meus pais perderam muito tempo com alguns detalhes e a pôr tudo no lugar e depois esqueceram-se de acrescentar o fermento. Só pode ter sido isso.

Quando somos mais novas não tem importância, sempre a ouvir: ah e tal  é mesmo uma boneca, tão gira.... depois,  o tempo passa e esses comentários escasseiam, até desaparecerem por completo..... 

Mas os baixinhos chegam  sempre onde chegam os grandes;  sim claro, se tiverem um banquinho por perto, senão estão tramados..... 

Ah pois é, estão mesmo tramados, se vão a um concerto ou a qualquer espectáculo, ou ficam na frente ou então passam o tempo todo aos saltinhos ou a pôr a cabeça ora para a esquerda, ora para a direita, num desassossego enervante, que provoca comichões e até chegam a pensar “mais valia ter ficado em casa”

Se engordam mais um pouco, ficam umas bolas, se ficam muito magros,  são uns enfezados; -não que me possa queixar porque estou entre os dois -, mas sempre a pensar, se um dia engordo muito, lá viro eu uma bolinha, se fosse alta talvez ficasse um mulherão.

Se um homem alto anda com uma mulher baixa, até que disfarça, mas se for ao contrário lá vêm as piadas, algumas até grosseiras....

Bom o facto é que os homens não se medem aos palmos, medem-se em centímetros e as mulheres arranjam alguns  extras nos saltos, agora os homens ficam mesmo em desvantagem.


Mas não me importo, porque, tal como dizia o poeta Fernando Pessoa, eu “sou do tamanho do que vejo”.....





In "A Saga dos Baixinhos"


M D
Junho 2017



sábado, 1 de junho de 2019

Dia da criança

Hoje é dia mundial da criança, o meu desejo é que todos os dias sejam dias da criança e de todas as crianças. QUE TODAS TENHAM O "DIREITO" A SORRIR!

Hoje, é um dia muito especial para mim, porque tive o privilégio de ter sido mãe nesse dia. 

Os meus filhos serão eternamente as minhas crianças.


Parabéns Filha

Passaram alguns anos desde o dia em que me deste a alegria de ser mãe pela primeira vez. Agora já entendes melhor esse sentimento. 

Continuaste sempre a dar-me muitas alegrias pela vida fora. E eu continuo a sentir muito orgulho em ti. Porque sempre foste e continuas a ser lutadora e determinada. Parabéns minha querida, hoje é o teu dia. 

Para ti eu só quero uma coisa, que sejas FELIZ.





quarta-feira, 29 de maio de 2019


Hoje lembrei-me de ti, nem sei bem porquê.  Talvez porque gostasse de partilhar contigo alguns acontecimentos da minha vida. Não é nenhuma data em especial, mas lembrei-me de ti. Lembrei-me dos momentos que passámos juntas na nossa juventude, das horas de risadas, sim,  porque juntas nós riamos  por tudo e por nada e por isso éramos felizes. Passaram alguns anos e seguimos caminhos diferentes, mas sempre em contacto.

A vida não te sorriu grande coisa, pois não amiga? Merecias mais, um pouco mais. E ainda por cima partiste tão cedo, um choque para todos. Ainda recordo do telefonema da tua mãe, a chorar e a tentar dizer, que em vez de receber a novidade da tua chegada de férias, recebeu a triste noticia da tua morte. Pobre mãe...sofreu tanto. Ficámos todos em choque.

Hoje seria tão bom contar-te que a tua afilhada já foi mãe, e que eu já sou avó de um menino lindo. E poder partilhar contigo tanta coisa. Um dia talvez nos reencontremos até lá fica a saudade.

Maio 2019