domingo, 12 de agosto de 2012


Se eu fosse areia e tu fosses mar
Perdia-me na tua imensidão,
Esperava que me viesses visitar
Para nos perdermos até mais não.

Escutávamos os dois as gaivotas
E entrelaçávamo-nos a namorar,
Lembrávamos as coisas mais remotas
Ficávamos assim abraçados a sonhar.


Maria Dias
Agosto 2012

É necessário abrir os olhos
E perceber as coisas boas
Que estão dentro de nós,
Onde os sentimentos
Não precisam de motivos,
Nem os desejos de razão,
O importante é aproveitar
O momento, e aprender
A sua duração,
Pois a vida está nos olhos
De quem a sabe ver
E a sentir no coração!


Maria Dias
Agosto 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Um abraço vale mais
Que mil palavras…
Um abraço serve
Para todas as ocasiões,
Estejas feliz ou triste
Conforta os corações.
O abraço é a palavra
Que tu queres ouvir
E o carinho a dividir,
que queres receber.
Um simples abraço
Te faz desistir de morrer
E continuares a viver!


Maria Dias
Agosto 2012





domingo, 5 de agosto de 2012


Amei-te demais, para não te odiar,
Talvez porque o amor e o ódio
São irmãos na paixão,
Queria continuar a amar-te
Abrir-te o meu coração
E não mais odiar-te.

Deixei o passado para trás,
E deixei o futuro ser,
Quis mais e mais, aliás
Deixei o futuro acontecer.
Segui os caminhos do coração
Caminhos de coragem,
Esqueci os caminhos da razão
Para enfrentar uma viragem.

A vida é mesmo um risco
E o coração está sempre pronto
Para os riscos enfrentar,
A vida é amor, é confiar
E se não estamos mortos
Desejamos lutar,
Não mais odiar,
Desejamos apenas amar!


Maria Dias
Agosto 2012




sexta-feira, 3 de agosto de 2012



Ela fitou-o em silêncio
E nas palavras tropeçou,
Receou o mau prenúncio,
Despiu os seus pensamentos
O seu coração parou,
Esqueceu os encantamentos
E o silêncio quebrou,
Não com palavras,
Mas com lágrimas
Lágrimas amargas,
E novamente,
Amargamente,
Deseperadamente,
Nas palavras tropeçou!

Maria Dias
Agosto 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


Gostavas de ter fé…
Querias muito acreditar
Que algo de bom aconteça,
Ficares alerta e de pé,
E parares de sonhar
Apenas porque o sonho
se tornou realidade,
ah como desejas que isso
se torne uma realidade!


Maria Dias
Agosto 2012



A assombração

Ela nunca tinha recuperado da sua ausência. Mesmo depois de saber que ele nunca mais voltaria. As noticias finais da sua morte tinham-na deixado prostrada e mesmo incrédula entregara-se ao luto, sofrendo muito, mas lentamente, como se nunca mais quisesse acordar para a vida.
Estava a deslizar para fora do tempo. As delimitações que observava no espaço de uma vida, perdiam subitamente o significado: segundos, minutos, horas, dias. Meras palavras, tudo o que queria ter, eram momentos como no passado, e esses já nem sequer lhe pertenciam.
Tinham sido tão felizes naquela quinta, naquela casa, aninhada a um canto do prado. Este estava cercado de bosques de cerejeiras bravas, bordos e carvalhos.
Mergulhada nos seus pensamentos, ouviu uma rajada de vento que levantou um redomoionho de folhas secas, que esvoaçaram pelo pátio emitindo um som de uma vassoura de plumas; algumas delas rasparam ao de leve contra as vidraças. Mas logo acalmou. O vento deu lugar a uma suave brisa, convidativa a um passeio.
Ela saiu e ficou a observar o Sol a pôr-se sobre o descampado. Gostava de sguir-lhe o rasto enquanto deslizava por entre o arvoredo.
O mundo há anos fechado lá fora, chamava-a de súbito para continuar a caminhar.
Quase na saída da quinta começou a ficar uma neblina dificultando a visão para a estrada. Resolveu voltar. Mas quando ía virar algo estranho aconteceu. Pareceu-lhe ver um vulto, mais parecendo uma assombração.
Deveria estar alucinada e quis apressar o passo, mas ao mesmo tempo sentia-se paralisada pela indecisão entre voltar e ficar, sem saber porque estava ali parada, com as mãos enterradas nos bolsos do casaco.
Tremia a pensar que não devia ter saído a uma distância tão grande e já ao entardecer. Mas o vulto aproximava-se lentamente… era um homem que caminhava num andar lento e trôpego.
Ela susteve a respiração à espera que ele se aproximasse, que ele falasse, decorreu um momento longo, durante o qual imaginou tudo menos o que viu e escutou.
- Laura sou eu. Já não me reconheces?
Mas ela já tinha desmaiado e foi ele, mesmo fraco, que  teve de a amparar para chegarem a casa.
Como era possível estar a olhar para o Rodrigo, que sabia estar morto e que nunca mais voltaria daquela maldita comissão.
Mas era verdade. O Rodrigo não tinha morrido, a carta que recebera há alguns anos tinha sido um engano.
Ela ainda estava em choque. E só aos poucos recuperava para a realidade.
Lembrava-se, em tempos, que lhe dissera que há um ponto em todas as histórias, a partir do qual, é impossível voltar atrás...Mas desta vez chegou mesmo a um ponto possível de voltar atrás, e de recuperar a felicidade perdida.


Maria Dias
Agosto 2012