quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Ora digam lá se não é bonito
O  “encontro de gerações”
Do principio até ao infinito
Uma união de corações.
Há troca de aprendizagem
E cada um à sua maneira,
E cada um a seu tempo,
Numa sã camaradagem,
E em amena cavaqueira
Dão largas ao pensamento.
De umas e outras fontes
Abrem-se novos horizontes
Novos e Velhos em entendimento
E não estando sòzinhos
Convivem juntinhos
E abraçam o conhecimento.


Maria Dias
Outubro 2012


Ó tempo volta para trás
Dá-me tudo o que eu perdi…..
Já dizia a canção…
Que era um fado
De António Mourão!

No bairro havia uma taberna
Que servia de carvoaria,
Uma capelista e uma padaria,
Um lugar de frutas e legumes,
E uma grande mercearia.
Na taberna comprava-se o vinho
Da adega cooperativa,
Levava-se a garrafa a encher,
Ou ía o pai, ou o filho sòzinho,
Porque a mãe tinha mais que fazer.

No Inverno comprava-se
Carvão em brasa,
Para aquecer as braseiras
De cada casa.
As braseiras das camilhas,
Algumas feitas de croché
Com agulhas de metal,
Que serviam também
Para as colchas e naperons
A enfeitar o pechiché.
Sim, porque o normal
Era a dona de casa
Fazer sempre o seu tricô
Enquanto as crianças
Jogavam o iô-iô…
E os rapazes jogavam futebol
Com uma bola de trapos,
Enquanto as raparigas
Limpavam os pratos

Na capelista compravam-se
As linhas, agulhas e botões
Coisas de costura….
Porque as lojas de pronto a vestir
Eram raras
E só os ricos lá podiam ir
Porque eram caras.

Na mercearia compravam-se
Secos e molhados
Tudo era pesado na balança
E para os pobres
Havia os fiados.
Compravam açúcar
A prestações,
Pagavam no final do mês
Quando se recebiam
os ordenados.

Na padaria compravam-se
Carcaças com maminha
Amassadas à mão,
E bolos feitos de farinha
Que mais pareciam pão,
Porque os bolos finos
Eram vendidos na pastelaria,
Os éclairs, mil-folhas,
De tamanha iguaria
Para derreter o coração.

Nos cafés havia estudantes
Que se sentavam a estudar,
E velhos a ler o jornal…
Um café, um bagaço,
Um cigarro de enrolar,
Num silêncio total.
Ouvia-se na rua
O gemido dos eléctricos
Ou os autocarros da carris
A resfolegar,
Num som banal…
Mais parecendo um som
De embalar.

Não havia televisões,
Havia tempo…
Fumavam-se cigarros enrolados
Ou cachimbo,
Algumas Tertúlias ….
Para entreter os corações.

Telefonava-se das cabines telefónicas
Pois não existiam telemoveis,
E na oficina consertava-se tudo…
Desde frigorificos, fogões
Radios e até móveis.
No sapateiro punham-se meias solas
Havia um par de sapatos de Inverno
E outro de Verão,
Davam-se facilmente esmolas
Assim pedia o nosso coração.

Era assim a classe média
A classe “remediada”,
Não sentia falta do que
Não existia… para nada.

É para este tempo
Que nos querem fazer
Regressar?
Tarde mais
Para se voltar.

A globalização
É escolha e abundância,
É troca, é o estado supremo
Da civilização,
Essa civilização descartável
E virtual,
É o mundo insustentável
Que o capitalismo
Construiu
E que parece que deixou de servir
Porque ruiu!


Maria Dias
18.Fevereiro.2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012


Passas por mim indiferente
Mas gosto de te ver passar
Deixas-me feliz e contente.
Lembra-te que sou tua amiga
E que gosto de te confortar,
No calor dou-te a sombra
E comigo podes descansar.

As minhas folhas são o desejo
As minhas flores são a esperança
Os meus frutos são um prazer,
E neste meu humilde lugarejo
Represento a perseverança
Porque estou sempre a renascer.
E mesmo quando já não tenho
Nem folhas, nem flores, nem frutos
Ainda estou presa à terra
Por isso,  deixa-me viver!



Maria Dias
Outubro 2012




quarta-feira, 3 de outubro de 2012


O que me faz sorrir?
Um simples sorriso no ar
Um olhar meigo a me olhar
Uma flor a desabrochar
As ondas do mar
O Sol a nascer
O Sol a se esconder
A Lua a aparecer
Uma noite de luar
O amor quando paira no ar
O que me faz sorrir?
O que me faz sorrir
É poder sentir
A vida a acontecer!


Maria Dias
Outubro 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Faz-me acreditar que nada de mal vai acontecer
Faz-me acreditar que este sonho não vai morrer
Faz-me acreditar que vai valer a pena lutar
Faz-me acreditar que vou poder de novo sonhar

Quero acreditar que vou poder voltar a sorrir
Quero acreditar que poderei voltar a sentir
Quero acreditar que encontrarás o teu caminho
Quero acreditar que tu não seguirás sòzinho!


Maria Dias
Outubro 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012



E eu Sei lá porque estou a escrever
Nem tão pouco quem me vai ler,
É como uma ânsia de deitar cá para fora
O que guardo aqui dentro até agora,
Quero despejar e por aí espalhar,
Quero escrever para não falar,
E eu sei lá o que quero dizer
Por isso o melhor mesmo, é calar.

E eu sei lá se tudo posso dizer
Ou se sou capaz de me fazer entender,
E eu sei lá se alguém me quer ouvir
E se alguém compreende o meu sentir,
O melhor mesmo, é não falar
E tudo de novo aqui dentro guardar,
E nem sequer tentar escrever,
Pois já nem eu  sei o quero dizer!



Maria Dias
Outubro 2012

Não há pressa entre nós
Para chegarmos a avós,
Não há pressa de envelhecer
Não vale a pena correr,
Mais vale viver devagar
Para a vida saborear!


Maria Dias
Outubro 2012