Esta imagem trouxe-me à lembrança a inocência de uma criança, por isso aqui recordo um poema sobre a inocência:
A inocência é uma criança
De mãos abertas para o mundo,
Com olhar de esperança
E com um amor profundo.
É a doçura na relação humana
Falar sem pensar, amar sem restrição,
É fruto da inocência que dela emana,
É possuir um mundo de imaginação.
Na inocência de uma criança
Há tanta esperança a nascer,
Tanto carinho e confiança,
Vontade e razão de viver.
Pleno mar de ternura
Olhos cheios de candura
De uma inocência sem fim,
Ah como sinto saudades
Daquela criança em mim!
Maria Dias
Maio 2012
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Conto de Natal
Um amigo para sempre…
Estava sentada à mesa do pequeno-almoço, pensativa, olhando para
lá das portas envidraçadas e segurando na chávena fumegante entre as mãos, como
que para as aquecer. A pensar inexoravelmente numa saida para os problemas,
encarando a vida como um estranho enigma por resolver. E agora com o Natal a
chegar, ainda sentia mais a sua solidão. Faltava-lhe as forças para encarar as
coisas que a faziam sofrer. Algo se agitou dentro de si.
Uma formiga ziguezagueava pelos braços da cadeira. Com um brusco
piparote fê-la levantar voo. Ao mesmo tempo que fez este gesto, algo caiu no
chão. Foi a jarra que estava em cima da
mesa com um desajeitado arranjo de flores já quase murchas. Paciência, queria
lá saber…. Precisava era de respirar ar fresco. Depois de tantos dias de chuva,
tinha que aproveitar o Sol que agora aparecia.
Saíu apressada, mas sem saber onde ir…..a brisa acariciava-lhe o
rosto, cresceu-lhe um ligeiro rubor…mas sob esse rubor havia ainda palidez, uma
tristeza instalada. Vagueou pelas ruas estreitas até chegar ao jardim, onde se
sentou pensativa….
O cheiro da erva aquecida pelo Sol enchia o ar. O que ela mais
desejava era não sentir-se assim tão só, tão perdida na vida….. mas também não
queria falar com ninguém, por isso despiu os seus pensamentos de palavras,
recostou-se e fechou os olhos. Deixou que o seu pensamento divagasse por entre
as recordações…
Pensamentos que perduravam ainda nas margens da sua consciência
nessa manhã quando, se apercebeu dos passos saltitantes na sua direcção sobre a
erva à altura do tornozelo. Abriu os olhos e viu ali parado um cãozinho a olhar
para ela, com um olhar tão meigo. Ela não sabia o que aquele olhar queria
dizer, mas quando ele se encostou às suas pernas, se sentou e olhou para ela
com um olhar suplicante e tão doce, ela teve a certeza que ele também estava só
como ela….que procurava companhia e carinho.
Tinha um ar tão dócil e ali ficou à espera que ela lhe fizesse
algum gesto. Ela por momentos, esqueceu tudo e acariciou o cãozinho que abanava
o rabo tão contente, com olhar suplicante, como se quisesse dizer-lhe “leva-me
contigo”.
E foi isso que ela fez, levantou-se e nem foi preciso dizer nada,
porque ele a seguiu, bem juntinho a ela, saltitante de alegria. A sua intuição
dizia-lhe que arranjara um amigo para sempre. Já não estava só no Natal. E por
mais estranho que possa parecer, sentiu que os seus problemas se tornavam agora
mais leves…
Maria Dias
Dezembro 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
Um olhar….
Sorriu, tentando concentrar-se de novo nas chamas alaranjadas e no
calor simples e agradável do braço dela. O cabelo tinha um cheiro maravilhoso.
Ele teve a impressão de que poderia perder-se nele para sempre.
Permaneceram em silencio, lado a lado, na penumbra durante alguns
minutos.
E ali estava outra vez, ou pelo menos um delicioso laivo, aceso
nos olhos dela. E, nisto, ela virou-se um pouco de lado para a janela e a luz
cinzenta ensombrou-lhe o semblante.
Sentou-se ao lado dela e fitou, sem ver, a panorâmica de montes e
vales. Ela agarrou-se ao braço dele, encostando-o ao seu corpo. Ele sondou-lhe
o rosto. Não encontrou palavras que captassem aquilo que estava a ver. Era como
se todo o esplendor daquela paisagem se reflectisse na expressão dela e o
esplendor da expressão dela se reflectisse na paisagem….
Maria Dias
Maio 2012
Um olhar…
Apenas um olhar,
Através de um olhar,
Tudo se pode revelar
Mesmo sem falar.
E quando a boca mente,
O olhar,
esse desmente,
Envergonhadamente,
Descaradamente.
A alma abre a janela
E através dela,
Tudo se revela
Com, ou sem cautela.
E mesmo sem mentir,
A essência do sentir,
Vai-nos transmitir
O que não podemos ouvir.
Basta aquele olhar
Basta o silêncio ímpar!
Maria Dias
Agosto 2012
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Quero Acreditar
Quando me
acontece alguma contrariedade na minha vida, passado o primeiro impacto, tenho sempre
a mania de pensar “porque será que isto está a acontecer”, e se não consigo no
momento, ver nada de positivo na ocorrência, penso: “ah por certo que agora
ainda não entendo, mas que por alguma razão em especial, vai ser positivo mais tarde. E é aí que vou
buscar forçar, tem sido sempre assim… e creio que irá continuar assim até que
eu viva.
Por isso
eu “quero” pensar mais uma vez, que esta crise que atravessamos e que será
ainda pior no próximo ano, quase a
bater-nos à porta, e mesmo estando consciente que vai ser bem dificil para
todos, “quero” acreditar que nos trará, talvez não a curto prazo, algo positivo para todos nós em termos de mudança
de consciências, que consigamos mudar a nossa maneira de agir e viver, acreditando
mais nos valores que se têm perdido nesta sociedade de consumo.
O mundo
há anos fechado aos sentimentos humanos, em que o dinheiro assumiu uma importância
tal, que gerou só ganância, predominando a corrupção, que deu ao homem a posse
de tudo, menos valores humanos, chegando à exaustão como uma lente através da
qual já não se consegue observar um mundo sem que seja como um fracasso.
Mas ainda
“quero acreditar” que esta crise seja
uma fase, deixando o passado para trás e o futuro acontecer. Seguir em frente
com coragem. Coragem é seguir caminhos perigosos. A vida é perigosa. Mas só os
covardes podem evitar o perigo e aí já estão mortos.
E ainda “quero acreditar” que este seja um passo
para um mundo melhor!
Maria Dias
Dezembro 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
E foi mais um momento bonito do espectáculo "Boa Noite Amor" em que o João Borges Oliveira deu vida às minhas palavras.
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