terça-feira, 26 de fevereiro de 2013



A lua tem fases
Nós também as temos.

As da lua são cíclicas,
As nossas não o são,
Delas nem nos apercebemos,
Ultrapassam a razão,
E tantas vezes dizemos
“São fases”…
E as más somos capazes
De as ultrapassar,
E nas boas queremos
Permanecer, ficar.

Eu, Nós e a Lua….
De mãos dadas
Andamos pela rua,
Perdemo-nos na escuridão,
Agarramos as estrelas,
Pintamos nossa imaginação
Como se fossem telas,
E assim vamos prosseguindo
Embalados pelo coração!


Maria Dias
Agosto 2012

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


A lágrima inveja o sorriso
Julga que ele vive sempre feliz
Puro engano, pura ilusão,
Muitas vezes é um disfarce
De quanto sofre o coração.

Quantas vezes choramos sorrindo
Continuamos rindo mesmo já indo,
Quantas vezes  sorrimos chorando
Mesmo quando estamos voltando.

Desde os sorrisos timidos
Aos sorrisos enigmáticos,
Dos sorrisos atrevidos
Aos sorrisos carismáticos,
Um sorriso, apenas um sorriso
É tudo o que é preciso


Maria Dias
Julho 2012

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Cada coração é único, cada um é um mundo,
Cada coração sente à sua própria maneira
Uns mais leve, outros sentem mais profundo
E de uma forma mais completa, mais inteira.

Cada coração fala mais ou menos, do seu jeito
Cada um sofre em silêncio, a chorar ou a cantar,
Cada coração bate do seu modo junto ao peito
Mas todos, todos,  sentem e vivem para amar!


Maria Dias
Fevereiro 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Se eu fosse um livro de amor
Queria que devorasses cada página
Com intensidade e fervor,
Que te perdesses em cada palavra
Que desfolhasses cada folha
Como analgésico para a tua dor.

Se eu fosse uma tela em branco 
Queria que desenhasses cada traço meu
Feito com toda a inspiração,
E ainda com tamanho encanto
Que pintasses  o meu corpo no teu
Ficando em perfeita união.


Maria Dias
Fevereiro 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


“Todas as cartas de amor são ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.”
Álvaro de Campos


Cartas de Amor
São lembranças de outrora
As mensagens de Amor
São as enviadas agora

Maria Dias

No Boa Noite Medo o João Borges Oliveira que tão bem interpretou este lindo poema de Oswaldo Montenegro e que quero aqui partilhar:

METADE

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é plateia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


A vida num sonho


Ela teve aquilo a que se pode chamar um momento de clarividência. Foi mais doloroso, mais revelador do que tudo o que tinha experimentado antes ou viria a experimentar. A dor foi tão profunda que preferiria uma dor fisica forte e feia.
Um filho ama-se incondicionalmente, mas quase sempre se vê um filho, como nós gostariamos que ele fosse e não como ele é na realidade. E quando se descobre que ele não é como nós idealizámos, o sofrimento é tão grande, que dói para além de tudo o que se possa imaginar e suportar.

A dor dela doía-lhe e dilacerava-a. Despiu os seus pensamentos das palavas e como o seu coração transbordava de sofrimento, os seus olhos pareciam um rio. O ar estava pesado de humidade, tão pesado que os peixes poderiam nadar nele.

Ela olhou em seu redor, sem se mexer, girando apenas as pupilas, os olhos fecharam-se e viajou rumo ao céu, caindo num Sonho…..

E viu o filho….aquele filho que tanto a fazia sofrer….viu-o caminhando pelo monte, pedalando pelo monte acima, tinha a cor corada, uma tez brilhante e sorria….. lá em cima no monte esteve parado algum tempo olhando o horizonte…. E quando já pedalava pelo monte abaixo, conseguia meter o vento dentro da camisa e trazia um semblante feliz.

Ela acordou e quis acreditar que finalmente ele tinha encontrado o seu rumo e isso era o que contava agora.  A vida num sonho, a vida que o filho parecia ter reencontrado.



Maria Dias
Maio 2012