segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ter connosco próprios uma relação
É muito importante nas nossas vidas
E quer nós acreditemos, ou não,
Só depois de nos aceitarmos
Como seres individuais,
Conseguimos estar prontos
Para uma relação a dois,
A solidão é aquele tempo
Que no agora e no depois
Nos leva e convida
Para aquele momento
Aquele instante da vida
De enfrentar o nosso Eu
E entender o sofrimento
Em que o mundo é meu,
Só assim nos preparamos
Só assim nos superamos,
Só assim nos encontramos
Para em equilíbrio escolher
O caminho a percorrer!


Maria Dias

Junho 2013

domingo, 23 de junho de 2013

Nesta noite de lua cheia
Onde o luar ilumina a rua
Trago-te  comigo na ideia
Ouço-te dizer “sou tua”

Dança para mim na rua
Lança o teu feitiço em mim,
Acabas dançando nua…
Já sinto o cheiro a jasmim

Expressa a tua própria luz
Não te escondas na escuridão,
Vem e à tua beleza faz jus,
Acaba com a minha solidão!



Maria Dias
Óleo s/Tela

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Para o Boletim da Arpic de Julho/Agosto publiquei esta página:


O CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS,  CONTOS E OUTROS…..

Julho e Agosto meses de Verão, das férias…
Agosto mês dos emigrantes em Portugal, férias, cidades desertas, cujos habitantes são substituídos pelos turistas… e a propósito dos turistas na cidade de Lisboa, relembro um poema:











O eléctrico mais típico da cidade
É o 28, que os turistas apanham
Como quem bebe ginjinhas….
E aí começam as voltinhas
Pelas ruelas já sem idade.

Dá a volta às colinas
Às sete colinas de Lisboa,
Passa pelas casas pombalinas
É como a canção entoa…

E lá continua…
Pelos poisos do Pessoa,
Pelas ruas do gasto basalto,
Pelas igrejas de estilo barroco,
Passa perto do Bairro Alto,
Sobe e desce num gemido louco,

Passa pelos nichos mouriscos,
Pelos azulejos cheios de fumaça
Das tascas com cheiro a petiscos…
Mas eis que a magia se esvoaça,
Quando os carteiristas entram em acção
E num abrir e fechar de olhos
Às carteiras deitam a mão…

E quando uma das turistas
Resolve pegar no telemóvel e
a policia chamar…
o eléctrico já sem magia
a gemer vai parar….
e em vez de justiça se fazer
lá vai a turista a correr
para na esquadra justificar
a chamada ao local
e tudo acaba mal:
A turista lixou-se,
O carteirista pisgou-se,
E o 28 pasmou-se….!

Do passeio fica a recordação
Das maravilhosas vistas,
Mas a parte da carteira em acção
Não vem no guia de turistas,
E vai ficar para sempre como um senão.


Maria Dias
Para o Boletim da Arpic do mês de Junho aqui fica a minha página:

O CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS,  CONTOS E OUTROS…..


Junho mês que se inicia a festejar o “Dia Mundial da Criança”, comemorado no dia 1.



A inocência é uma criança
De mãos abertas para o mundo,
Com olhar de esperança
E com um amor profundo.

É a doçura na relação humana
Falar sem pensar, amar sem restrição,
É fruto da inocência que dela emana,
É possuir um mundo de imaginação.

Na inocência de uma criança
Há tanta esperança a nascer,
Tanto carinho e confiança,
Vontade e razão de viver.

Pleno mar de ternura
Olhos cheios de candura
De uma inocência sem fim,
Ah como sinto saudades
Daquela criança em mim!

E…recordo aquela criança em mim, deixando-me levar entre sonhos e pensamentos:

Vou de viagem, uma viagem especial, uma viagem ao passado.
O vagar chega-me a cada lembrança, sinto o início de um sorriso. Não preciso de fechar os olhos para ver tudo, para receber aquele tempo, sinto os cheiros, avanço devagar como se fosse o presente, o presente absoluto, com a idade daquele instante, como se estivesse lá. Então, estou pronta para reviver o momento, descanso os olhos no que me rodeia.
Vejo a minha avó na cozinha, mulher pequenina, mas sempre cheia de energia, de volta dos cozinhados e aí sinto aquele cheirinho tão bom da sua comida: “Oh vó o que é o jantar? Por mim, podes fazer todos os dias o teu frango assado, ou o teu arroz de bacalhau”. Hummm até sinto o paladar dos seus cozinhados….
E depois os serões passados à volta daquela mesa com a “braseira”…..as histórias da avó, cheias de mistério, lendas de encantar que faziam a minha cabecinha sonhar… e só quando os olhos já não queriam continuar abertos eu cedia a ir para a cama.
A magia daqueles momentos trazem-me memórias tão ternas, tão intensas, como se estivesse lá neste momento, com a mesma idade, com os mesmos sentimentos, e o melhor de tudo, é a sensação tão real de estar com a minha avó ao meu lado. Então, estou pronta, matei a saudade e levo em mim aquilo que sou. Tenho memórias vividas, que me fazem feliz. Posso regressar dessa viagem, ainda com aquela criança em mim. Até qualquer dia!





Maria Dias
E hoje começa o Verão, esperemos que não seja só no calendário

Ah como eu gosto do Verão
Com dias de Sol intenso,
Tão longos até mais não,
Dias de férias que nem penso
No que tenho a fazer,
É preguiçar e até sonhar,
Observar o entardecer
Ver o pôr do Sol
E tudo o mais esquecer!

Maria Dias

sábado, 15 de junho de 2013

Eu e a minha sombra
Sempre fomos almas gémeas
Para onde vou, vai ela também
O que sou, ela é, o que tenho, ela tem.
Ela revela o meu ego mais sombrio,
Ela faz-me medo porque, se aparece,
Ameaça a minha imagem aceitável,
Me aflige e até me endoidece,
Mas não posso livrar-me dela,
Do meu Eu é parte indissociável!
 Maria Dias

quinta-feira, 13 de junho de 2013


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

Parabéns !!! faria hoje 125 anos