terça-feira, 27 de agosto de 2013

Silêncio…consegues ouvi-lo? As árvores conseguem. São as primeiras a saber que está a chegar. Escuta! As árvores do bosque profundo e escuro, estremecendo e agitando as folhas como invólucros finos de prata velha, o vento dissimulado, sussurrando o que não tardará a acontecer…..


A árvore

Passas por mim indiferente
Mas gosto de te ver passar
Deixas-me feliz e contente.
Lembra-te que sou tua amiga
E que gosto de te confortar,
No calor dou-te a sombra
E comigo podes descansar.
As minhas folhas são o desejo
As minhas flores são a esperança
Os meus frutos são um prazer,
E neste meu humilde lugarejo
Represento a Perseverança
Porque estou sempre a renascer.
E mesmo quando já não tenho
Nem folhas, nem flores, nem frutos
Ainda estou presa à terra
Por isso, deixa-me viver!



Maria Dias

segunda-feira, 19 de agosto de 2013



Hoje é o dia mundial da fotografia, então volto a publicar o meu poema "Retratos"

Retratos são pedaços da nossa história
Alguns já se distanciam da realidade,
São momentos que ficam na nossa memória
Que vão permanecer até à eternidade.

Retratos são testemunhos, alguns com significado
Que fixaram para sempre aqueles instantes precisos,
Pequenos gestos duma fração de tempo do passado,
Um registo definitivo de expressões e de sorrisos.

E o que começa por ser um registo da realidade
Poderá passar a ser, não mais do que uma lembrança,
Não mais do que um modo de evitar a distância,
Mas que permanecerá para matar a saudade!


Maria Dias

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A vida da Borboleta

A Borboleta é um insecto
Que começa por ser um ovo,
Ainda sem qualquer aspecto,
Algum tempo sem nada de novo

Depois passa para larva
Que é a sua fase mais longa,
Essa  é a luta que trava
Passa a casulo e fica pronta,

Pronta para desabrochar
E do monstro sair,
E finalmente na “bela” se tornar
Quase pronta para fugir.

Borboleta colorida, tão bela,
Já preparada para voar,
Voa, como se saisse duma tela,
Companheiro quer impressionar

O objectivo é acasalar
E terá que ser depressa
Para a espécie perpertuar
Antes que a morte aconteça

Borboletas são tão belas
O que seria delas
Se não pudessem voar?
O céu e as estrelas
Não poderiam vê-las passar!

Maria Dias

domingo, 11 de agosto de 2013

Faz hoje anos que ambos
Lutámos pela vida
Que merece ser vivida.
A tua força foi surpreendente
Sobrevivestes,
Quiseste vencer
Sim, foste mesmo um valente
Quiseste viver.
Por isso lembra-te
que “vale a pena”
Continuar a lutar
Os sonhos alcançar
E para isso batalhar.
A ti desejo que encontres
o teu caminho
Que recuperes a força
que há anos te salvou
que renasças e esqueças
o mau tempo que passou.
A ti desejo toda a felicidade
A ti desejo uma vida de verdade!
Ah e nunca te esqueças
Que estarás sempre
No meu coração,
Amor de mãe
Não tem explicação!

Maria Dias


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A região Oeste
tem uma magnifica beleza, 
O mar e o campo
fundem-se de forma singular, 
numa mancha verde salpicada
de casario branco
construído de forma regular,
e em pano de fundo o azul do oceano
cheio de luminosidade intensa,
leva-nos a gostar tanto
de a apreciar durante todo o ano.
Povoada de gente hospitaleira
que se divide entre o apego à terra
e o chamamento ancestral do mar,
é desta encantadora maneira
que esta região é apelativa para visitar!

Maria Dias

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Não tive ainda o privilégio de saborear aquele sentimento que os avós sentem pelos seus netos, de qualquer modo queria partilhar o texto lindo que acabei de ler de Rachel de Queiroz, escritora brasileira:

A Arte de Ser Avó
“Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus.

Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimónio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não a incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências.

A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda. (…)

(…) E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido".

E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.(…)

(…) Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?

Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague...”

sábado, 20 de julho de 2013

A Amizade

Pudera eu ter o dom de um poeta
Ou de um músico…
Para poder colocar em verso e melodia
O sentimento da amizade…
Ah como eu gostava, como eu queria
Poder defini-lo e transcrevê-lo
Esse sentimento da verdade.

A amizade é um sentimento
Tão único e especial,
Troca, amor, cumplicidade
É afeto, é respeito, é vital,
É carinho e honestidade.

A amizade duplica a alegria
E divide as tristezas,
É uma completa melodia
Que diminui as distâncias
Fortalece as certezas
E ultrapassa todas as ânsias...



A amizade, sim, a amizade
É uma troca repartida
De uma cumplicidade,
É a doce canção da vida
É a poesia da eternidade!



Maria Dias