sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Dedico este soneto à amiga Maria Vilar, dado que neste momento é o que ela mais precisa é de paciência.

A minha amiga paciência
Veio para me ajudar,
Instalou-se numa dormência
Pedi-lhe para comigo ficar.

Quero que me ajudes a manter
O meu equilíbrio emocional,
Que não me faças esquecer
De buscar uma calma adicional.

Sei que tens a arte da esperança,
Ultrapassas as dificuldades,
És um porto seguro, meu abrigo,

Com a tua calma e perseverança
Amiga de todas as verdades,
Só me fazes querer ficar contigo!

Maria Dias.

Lindo este poema de Clarice Lispector, lido de cima para baixo e de baixo para cima.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Para o Boletim da Arpic de Dezembro 2013, enviei:

O CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS,  CONTOS E OUTROS…..

Dezembro, um mês festivo, em que se celebra o Natal, pena que não se sinta o espírito Natalício todos os dias nos nossos corações.

Quero partilhar um conto que nos fala de solidão, que poderá ser minimizada quando ficamos prontos para nos darmos, e aí sim até nos sentimos renascer.

“Que em cada um de nós possa nascer ou renascer o poder de amar”.


Estava sentada à mesa do pequeno-almoço, pensativa, olhando para lá das portas envidraçadas e segurando na chávena fumegante entre as mãos, como que para as aquecer. A pensar inexoravelmente numa saída para os problemas, encarando a vida como um estranho enigma por resolver. E agora com o Natal a chegar, ainda sentia mais a sua solidão. Faltava-lhe as forças para encarar as coisas que a faziam sofrer. Algo se agitou dentro de si.
Uma formiga ziguezagueava pelos braços da cadeira. Com um brusco piparote fê-la levantar voo. Ao mesmo tempo que fez este gesto, algo caiu no chão. Foi a jarra que estava em cima da mesa com um desajeitado arranjo de flores já quase murchas. Paciência, queria lá saber….Precisava era de respirar ar fresco. Depois de tantos dias de chuva, tinha que aproveitar o Sol que agora aparecia.

Saíu apressada, mas sem saber onde ir. A brisa acariciava-lhe o rosto, cresceu-lhe um ligeiro rubor…mas sob esse rubor havia ainda palidez, que demonstrava uma tristeza instalada. Vagueou pelas ruas estreitas até chegar ao jardim, onde se sentou pensativa….
O cheiro da erva aquecida pelo Sol enchia o ar. O que ela mais desejava era não sentir-se assim tão só, tão perdida na vida, mas também não queria falar com ninguém, por isso despiu os seus pensamentos de palavras, recostou-se e fechou os olhos. Deixou que o seu pensamento divagasse por entre as recordações…

Pensamentos que perduravam ainda nas margens da sua consciência nessa manhã, quando se apercebeu dos passos saltitantes na sua direcção sobre a erva à altura do tornozelo. Abriu os olhos e viu ali parado um cãozinho a olhar para ela, com um olhar tão meigo. Ela não sabia o que aquele olhar queria dizer, mas quando ele se encostou às suas pernas, se sentou e olhou para ela com um olhar suplicante e tão doce, ela teve a certeza que ele também estava tão só como ela….e que procurava companhia e carinho.

Tinha um ar tão dócil e ali ficou à espera que ela lhe fizesse algum gesto. Ela por momentos, esqueceu tudo e acariciou o cãozinho que abanava o rabo tão contente, com olhar suplicante, como se quisesse dizer-lhe “leva-me contigo”.

E foi isso que ela fez, levantou-se e nem foi preciso dizer nada, porque ele a seguiu, bem juntinho a ela, saltitante de alegria. A sua intuição dizia-lhe que arranjara um amigo para sempre. Já não estava só neste Natal. E por mais estranho que possa parecer, sentiu que os seus problemas se tornavam agora mais leves… agora que podia dar um pouco de si, sentia-se renascer!




Maria Dias

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O Castelo e a Cidade

Hoje, senti-me presa num castelo,
Prisioneira de uma linda cidade,
Parada no tempo, perdida na idade,
Agarrada ao Sonho, presa ao Belo.

A vista tão deslumbrante
É um assalto aos sentidos,
Abraço o Tejo inquietante,
Sigo os desejos nele contidos

É Lisboa a minha cidade
Que não canso de contemplar
É irresistível e não tem idade
Impossível não a amar!


Maria Dias
15.Novembro 2013



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quem não se derrete ouvindo (lendo) isto:

"Obrigada mãe, adoro-te porque me amas como se nunca te tivesse magoado"