quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

"Ela chegou mais bela do que um sonho e perguntou-lhe: Tens lume? 
E ele, sem pensar duas vezes, respondeu-lhe que tinha, mas que ardia sem se ver."

Anónimo
"Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida. Lembra que o que importa é tudo que semeares, colherás. Por isso, marca a tua passagem. Deixa algo de ti, do teu minuto, da tua hora, do teu dia, da tua vida."

Mário Quintana
Para o Boletim da Arpic de Março vai ser publicado o seguinte:

O CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS,  CONTOS E OUTROS…..

Março é o mês em que se celebra o dia mundial da árvore. E eu penso na sua importância nas nossas vidas:

A árvore

                                                  
Passas por mim indiferente
Mas gosto de te ver passar
Deixas-me feliz e contente.
Lembra-te que sou tua amiga
E que gosto de te confortar,
No calor, dou-te a sombra
E comigo podes descansar.
As minhas folhas são o desejo,
As minhas flores são a esperança,
Os meus frutos são um prazer,
E neste meu humilde lugarejo
Represento a Perseverança
Porque estou sempre a renascer.
E mesmo quando já não tenho
Nem folhas, nem flores, nem frutos
Ainda estou presa à terra
Por isso, deixa-me viver!

E as árvores fazem parte da paisagem:

A paisagem
não é ilusão…
Não é miragem,
É realidade
Que nos enche
O coração!
Não é só olhar,
É ver para além de….
É levar-nos nas asas
da imaginação,
É ficarmos rendidos
a tamanha beleza,
E perguntarmos
Será que temos a certeza
que não é ficção?
E, permanecemos
numa linguagem silenciosa,
desejando alcançar
o poder do infinito
em todo o seu esplendor,
E, até esquecemos
de nós próprios
e de tudo ao nosso redor!                                       




Maria Dias
E foi esta a publicação de Janeiro que só saiu em Fevereiro:

O CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS,  CONTOS E OUTROS…..

Janeiro, início do novo Ano.

Ainda há pouco estávamos em 2013, ano em que foi escrito este poema para brindar a chegada de 2014.

A todos desejo um ano com saúde, paz e amor! Pode parecer um cliché, mas o facto é que são 3 coisas essenciais na nossa vida.


Mais uma página do calendário
Que está quase a virar
Só resta ficar solidário
com o Ano que vai chegar

De repente num instante fugaz
Os fogos de artificio vêm predizer
Que o Ano Velho fica para tràs
E que o Novo Ano está a nascer

As taças se cruzam num tchim tchim
E embriagados de sentimentos
Formulamos votos num fernezim
Só desejando bons momentos

Entre abraços calorosos
queremos os sonhos realizados,
e ficamos todos ansiosos
dos nossos desejos alcançados

A  mim resta-me desejar
A todos nós em união
Que juntos possamos cantar
A mesma canção

Canção de Paz e Amor
Força para a crise superar,
Brindemos com louvor
Ao Ano que vai chegar!








Maria Dias

domingo, 23 de fevereiro de 2014


E já faz 27 anos que morreu Zeca Afonso (23.Fevereiro.1987)

Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar
Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar

Zeca Afonso


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Saudades da Primavera


Saudades da doce Primavera
Da sua alegria contagiante,
Mas por agora mera quimera
Ela ainda está tão distante

Saudades do Sol na janela
Com os passarinhos a chilrear,
A terra iluminada toda ela,
As flores a começarem a brotar

Saudades do verde dos campos
Salpicados pelas mais variadas cores,
Da luz ofuscante como a dos pirilampos
Da variedade e cor das lindas flores

Saudades do Sol sobre o mar
Formando um quadro natural
Que se torna ao nosso olhar
De uma beleza sem igual

Sem o Inverno triste e sombrio
Não existiria esta saudade
Que nos leva ao equilibro
Que nos dá aquela ansiedade

Ansiedade dos dias ensolarados
Esse Sol que nos volta a aquecer,
Com noites de céus estrelados
É a vida simplesmente a renascer!




Maria Dias
Fevereiro 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

E amanhã na festa de aniversário da Editora Lua de Marfim, vai ser o lançamento da Antologia "No Mundo da Lua", na qual tive o privilégio de contribuir com um texto, que vou partilhar:




“No mundo da Lua”

A frase que mais ouço é esta: “Andas sempre com a cabeça no mundo da Lua”. Quero lá saber do que dizem. Nunca me iriam compreender.  O que os outros não sabem, é que quando viajo até ao mundo da lua, sonho muito de olhos abertos, viajo muito, mas as minhas viagens não são as mais comuns. Viajo para dentro de mim mesma, viajo no tempo.
Quando eu estou “no mundo da Lua”, fico no silêncio, fecho os olhos e aí estou pronta para partir.
Vou de viagem, uma viagem especial, uma viagem ao passado. Uma viagem que dura o tempo que eu quiser. Deixo o meu pensamento divagar por entre as recordações, até aos lugares mais recônditos da minha memória.
O vagar chega-me a cada lembrança, sinto o início de um sorriso. É um assalto aos meus sentidos, que desperta em mim momentos da minha infância. Até nem precisava de fechar os olhos para ver tudo, para receber aquele tempo, já sinto os cheiros, avanço devagar como se fosse o presente, o presente absoluto, com a idade daquele instante, como se estivesse lá. Então, estou pronta para reviver o momento, descanso os olhos no que me rodeia.
Vejo a minha avó na cozinha, mulher pequenina, mas sempre cheia de energia, ostentando aquele ar de luminosa serenidade. Está de volta dos cozinhados e aí sinto aquele cheirinho tão bom da sua comida: “Oh vó o que é o jantar? Por mim, podes fazer todos os dias o teu frango assado, ou o teu arroz de bacalhau”. Hummm até sinto o paladar dos seus cozinhados….
Todas estas sensações aliam-se ao aroma do café acabado de fazer, levando a que naquele instante a vida até pareça simples.
O cheiro da erva aquecida pelo Sol, entra pela casa e enche o ar. São estes os cheiros que me transmitem paz e segurança.
Pela tarde, da janela observo a avó no jardim, falando com as plantas, e penso na beleza que é, ela deixar-se fascinar pelas coisas mais simples da vida. Vejo-a sorrir, um sorriso rasgado que demonstra felicidade.
Ah mas agora fico ansiosa pelos serões. Esses momentos tão intensos passados à volta daquela mesa com a “braseira”…..as histórias da avó, cheias de mistério, lendas de encantar que fazem a minha cabecinha sonhar… e só quando os olhos já não querem continuar abertos eu cedo a ir para a cama.
A magia daqueles momentos trazem-me memórias tão ternas, tão intensas, como se estivesse lá neste momento, com a mesma idade, com os mesmos sentimentos, e o melhor de tudo, é a sensação tão real de estar com a minha avó ao meu lado.
Mesmo que as palavras se misturem e atirem ao ar o livro da vida e as páginas se baralhem, jamais podendo voltar a ser ordenadas de modo a contar a mesma história, tenho memórias vividas, que me fazem feliz.
Então estou pronta, matei a saudade e levo em mim aquilo que sou. Posso regressar dessa viagem, ainda com aquela criança em mim. Sabem, o passado, os laços da família constituem aquilo que somos. Todas as pessoas são moldadas por elementos que não se podem controlar, traços herdados, traços aprendidos.
E chego à conclusão que, por vezes, é tão irresistível, ter a cabeça “no mundo da lua”.

Maria Dias

Novembro 2013