sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Como morrem os amores...




Os amores morrem de inanição
se não há alimento

Os amores morrem de decepção
se não há sobriedade

Os amores morrem de ciúmes
se lhes falta alento

Os amores morrem de quietude
se não há cumplicidade

Os amores morrem de tédio
se lhes falta motivação

Os amores morrem de egoismo
quando se ama em solidão

Os amores morrem cedo
quando falta compreensão

Os amores morrem queimados
no calor de uma discussão

Os amores morrem sufocados
pela mágoa acumulada

Os amores morrem afogados
no mar da mentira criada

Os amores morrem doentes
quando somos intransigentes

Os amores morrem dormindo
se a paixão se vai diluindo

Os amores morrem
porque nós os matamos

Os amores morrem
se os sentimentos ocultamos

Os amores morrem
porque não os vivemos

Os amores morrem,
e morrendo o amor
Nós é que morremos!






sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Aprender a Amar....




Depois de algum tempo
aprendes a diferença,
a subtil diferença
entre a alma acorrentar
ou o dar a mão,
e só assim
Aprendes a Amar!

E, aprendes que amar
não significa prender,
e que companhia
nem sempre é “ter”…
e acabas por aceitar!

E aprendes que beijos
não são contratos,
e presentes
não são promessas,
Aprendes que
não é preciso
a troca de retratos,
e que diferenças essas
pouco importam para
manter os desejos….

E, aprendes que amar
é deixar o outro
em liberdade
e, se em vez de partir,
ficar por sua vontade,
então Aprendeste a Amar
por inteiro, de verdade!






MD
Fev 2012 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Lembrança


Um dia seremos  “lembrança”
na memória de alguém
reflectindo a nossa presença
vinda e sentida do além

lembramos o que já passou
e que pode já não ser real
tudo o que em nós ficou
tornando-se tão especial

“lembrança” algo que nos pertence
mas que pode tonar-se fugaz
que a todos sempre convence
mas que nem a todos satisfaz

Já agora quero pedir-te:
“Olha-me porque te lembras
e, não me lembres
porque me olhas”




domingo, 2 de fevereiro de 2020

02 de Fevereiro de 2010 morte de Rosa Lobato Faria

De ti só quero o cheiro dos lilases
e a sedução das coisas que não dizes
De ti só quero os gestos que não fazes
e a tua voz de sombras e matizes
De ti só quero o riso que não ouço
quando não digo os versos que compus
De ti só quero a veia do pescoço
vampira que já sou da tua luz
De ti só quero as rosas amarelas
que há nos teus olhos cor das ventanias
De ti só quero um sopro nas janelas
da casa abandonada dos meus dias
De ti só quero o eco do teu nome
e um gosto que não sei de mar e mel
De ti só quero o pão da minha fome
mendiga que já sou da tua pele.
Rosa Lobato de Faria, A Noite Inteira já não chega