segunda-feira, 22 de maio de 2017

Abraço o mundo

Dizem que no dia 22 de Maio se comemora o dia do abraço.
 Mas um abraço não tem dias, não tem horas, tem momentos!

Do livro "Abraço-te"


Abraço o mundo
esse mundo inteiro
que cabe no meu olhar
e, num sentimento profundo
sonho ...e até ouso voar...

Abraço as palavras
no oásis do meu silêncio
a vida  suspensa num sentir
preenche esse vazio
e, simplesmente deixo-me ir

e apenas...
as palavras rasgadas
em gritos contidos
me dão “tudo” dos nadas
e se transformam em
abraços unidos

Abraço o mundo







segunda-feira, 15 de maio de 2017

Quem disse que a idade está na cabeça?



Quem disse que  a idade está na cabeça? É que às vezes, ou a maior parte das vezes, o corpo  é quem manda. A cabeça bem quer ser jovem, mas o corpo não deixa.

Há dias em que me levanto e a minha cabeça me diz que tenho 30 anos e eu levo um daqueles dias, cheio de afazeres, ginásio, aulas, vida doméstica, num corre, corre, cheia de energia e depois no final do dia o meu corpo lembra-me que tenho 60. É um desmancha prazeres, é isso que ele é.... custa-lhe alguma coisa deixar-me viver na ilusão algum tempo mais.

E depois se dói aqui ou ali, a culpa é do tempo, porque é uma grande instabilidade, ora faz frio, ora faz calor, mas eu quando tinha 30, o meu corpo não dava pelas mudanças bruscas de temperatura. O meu corpo nem se importava com o que a cabeça pensava, porque se sentia bem na sua plenitude. Sentia-se forte, cheio de energia, sempre pronto para mexer....era um aliado à juventude da cabeça.

Agora está de costas voltadas para a cabeça, já nem quer saber se ela quer ter 30, 40 ou 50.

Às vezes faz-lhe a vontade e deixa-a gozar aquela sensação de “eu quero, eu posso, eu faço”, mas depois prega-lhe a partida e pergunta-lhe: ah julgas-te nova não é, estás esquecida que os 30 já lá vão, só tens mais 30 em cima, então toma lá uma dorzita para te lembrares, deixa cá ver onde vai ser....pode ser na zona lombar....ah e aviso-te já...se continuas a abusar, amanhã vai doer-te a cervical também.

E depois dizem que a idade está na cabeça... Só se for com muita persistência para conseguir ultrapassar a má vontade do corpo em relação a isso. Temos que o contrariar. Tenho uma dor aqui e outra ali, eu sei que já não tenho 30, mas posso ir, posso fazer, posso passear, o que não posso é abusar, senão o corpo vinga-se.

Temos que ir gerindo esta relação amor ódio entre a cabeça e o corpo. É que a cabeça não se pode iludir demasiado, em vez de 30 tem que pensar que tem uns 50 saudáveis e ir enganando o corpo. 

Eu digo-lhe baixinho: Olha lá eu sei que tenho 60, mas tem lá calma, não contraries muito a minha cabeça, eu também vou com calma, mas quero ir, quero fazer, ainda quero viver.


15/Maio/2017




terça-feira, 9 de maio de 2017

Salvador Sobral - Amar Pelos Dois (Spain Calling International) Eurovisi...



Se um dia alguém
Perguntar por mim
Diz que vivi
Para te amar

Antes de ti
Só existi
Cansado e sem nada p’ra dar
Meu bem
Ouve as minhas preces
Peço que regresses
Que me voltes a querer

Eu sei
Que não se ama sozinho
Talvez devagarinho
Possas voltar a aprender

Se o teu coração
Não quiser ceder
Não sentir paixão
Não quiser sofrer

Sem fazer planos
Do que virá depois
O meu coração
Pode amar pelos dois

sábado, 6 de maio de 2017


Odeio amuos…
prefiro argumentos
odeio recuos…
prefiro conversa
discussão
evita sofrimentos
e alivia a tensão

fala em vez de calar
grita em vez de silenciar
discute em vez de amuar
só assim podes ultrapassar
e controlar o estado emocional
para uma conversa normal






quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mãe, eu preciso ir..

Mãe
Talvez você demore a compreender, talvez você chore incontáveis noites por ver o ninho vazio, talvez você me ligue com aquela voz embargada, sofrida, de quem está guardando um mundo de saudade em um nó na garganta, mas mãe, eu tenho que ir.
Tenho que aprender a separar a roupa por cores na hora de lavar, tenho que descobrir que a louça continua na pia no dia seguinte, que cheiro de banheiro limpo é bom, principalmente quando fui eu que limpei.
Tenho que aprender a cozinhar mais coisas além de macarrão com salsicha, conto com a internet para me ajudar com isso. Tenho que aprender que o meu salário precisa durar 30 dias e que balada e cerveja não são lá as necessidades mais básicas.
Tenho que me sentir só, tenho que falar para as outras pessoas “minha mãe sempre diz que..” e sentir orgulho dos inúmeros conselhos que você me deu na vida e nem sempre eu dei muito valor. Tenho que identificar as amizades ruins, coisa que você fazia por mim antes, tenho que ser forte e segurar aquele palavrão que o meu chefe merecia mas você me ensinou que um profissional sério não sai de si tão facilmente.
Tenho que criar meus próprios ritos de sábado à tarde, que antes eram fazer bolo e dançar loucamente na cozinha com você. Tenho que tirar o pijama aos domingos, fazer almoço, fazer o jantar e não simplesmente ler um livro enquanto espero que você faça tudo por mim.
Tenho que assistir aquele filme incrível sem companhia e não ter ninguém pra chorar timidamente comigo, tenho que sentir falta do abraço que era a fortaleza que eu precisava em um dia ruim e da sinceridade que me ensinava a ser um ser humano melhor todos os dias.
Mas não pense que é fácil para mim, vai doer todos os dias da minha vida, não voltar para casa e ver seu sorriso tranquilo, poder contar cada detalhe do dia e não sentir um mínimo sinal de tédio no seu rosto.
Vou sentir saudade mesmo quando eu tiver dois filhos, mesmo quando eu tiver oitenta anos, mesmo quando eu tiver escrito o melhor livro da história.
Preciso ir mãe mas te levo sempre comigo.

Samanta Selzler


terça-feira, 25 de abril de 2017

Fiz este poema pelos 40 anos da Liberdade.... Decorridos 3 anos, podemos ter esperança de não deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir?.....


Era uma vez… o 25 de Abril
A tão proclamada e desejada liberdade,
Passaram 40 anos, que mais parecem mil,
Mas o “Agora” é uma dura realidade…

Volta o pé descalço, a fome envergonhada,
Crianças de estômago vazio nas escolas,
Somos roubados pelo Governo à descarada,
Como se as nossas reformas fossem esmolas

Semeia-se a fome, a miséria, o desemprego
Os jovens que emigrem para outros países,
Esquecendo pelo seu País qualquer apego,
E se for preciso, até podem cortar suas raízes

Cortam-se nos salários para as contas equilibrar
Corta-se na saúde, nas reformas e na educação,
Afinal que rumo é este, onde é que vamos parar?
Como se aumenta a economia com esta gestão?

O empobrecimento da Pátria é um ultraje e uma má memória
Para quem conheceu os velhos tempos da nossa história,
Oh Povo acordai, acordai, está na hora de reagir
Não vamos deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir!