quinta-feira, 20 de julho de 2017

A Amizade

Pudera eu ter o dom de um poeta
ou de um músico…
para poder colocar em verso e melodia
o sentimento da amizade…
Como eu gostava, como eu queria
poder defini-lo e transcrevê-lo
esse sentimento da verdade

A amizade é um sentimento
tão único e especial,
troca, amor, cumplicidade
é afecto, é respeito, é vital,

é carinho e honestidade

A amizade duplica a alegria
e divide as tristezas,
é uma completa melodia
que diminui as distâncias
fortalece as certezas
e ultrapassa todas as ânsias…

A amizade, sim, a amizade
é uma troca repartida
de uma cumplicidade,
é a doce canção da vida
é a poesia da eternidade




terça-feira, 4 de julho de 2017

Os baixinho chegam onde chegam os grandes

Os baixinhos chegam onde chegam os grandes, será mesmo?

Sou baixinha pois sou e então? Os meus pais perderam muito tempo com alguns detalhes e a pôr tudo no lugar e depois esqueceram de acrescentar o fermento. Deve ter sido isso mesmo.

Quando somos mais novas não tem importância, ah e tal  é mesmo uma boneca, tão gira.... depois o tempo passa e esses comentários escasseiam, até desaparecerem por completo..... 

Mas os baixinhos chegam  sempre onde chegam os grandes...ah sim claro, se tiverem um banquinho por perto, senão estão tramados..... 

Ah pois é, estão mesmo tramados....se vão a um concerto ou a qualquer espectáculo, ou ficam na frente ou então passam o tempo todo aos saltinhos ou a pôr a cabeça ora para a esquerda, ora para a direita, num desassossego que chegam a pensar “mais valia ter ficado em casa”

Se engordam mais um pouco, ficam umas bolas, se ficam muito magros, são uns enfezados.... não que me possa queixar porque estou entre os dois, mas sempre a pensar se um dia engordo muito, lá viro eu uma bolinha...se fosse alta talvez ficava um mulherão.

Se um homem alto anda com uma mulher baixa, até que disfarça, mas se for ao contrário lá vêm as piadas, algumas até grosseiras....

Bom o facto é que os homens não se medem aos palmos, medem-se em centimetros e as mulheres arranjam alguns centimetros extras nos saltos, agora os homens ficam mesmo em desvantagem.....





Junho 2017


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Entardeceste...

Entardeceste no meu olhar
E amanheceste no meu sorriso
Um gesto e um beijo sem tardar
Mesmo no momento preciso

Anoiteceste nos meus braços
Percorrendo a estrada das horas 
Decorámos os nossos traços
Sem pressas e sem demoras

Até comigo madrugastes
Entre palavras e humor
Adormecestes e acordastes
Entre sonhos e amor



Junho 2017







segunda-feira, 22 de maio de 2017

Abraço o mundo

Dizem que no dia 22 de Maio se comemora o dia do abraço.
 Mas um abraço não tem dias, não tem horas, tem momentos!

Do livro "Abraço-te"


Abraço o mundo
esse mundo inteiro
que cabe no meu olhar
e, num sentimento profundo
sonho ...e até ouso voar...

Abraço as palavras
no oásis do meu silêncio
a vida  suspensa num sentir
preenche esse vazio
e, simplesmente deixo-me ir

e apenas...
as palavras rasgadas
em gritos contidos
me dão “tudo” dos nadas
e se transformam em
abraços unidos

Abraço o mundo







segunda-feira, 15 de maio de 2017

Quem disse que a idade está na cabeça?



Quem disse que  a idade está na cabeça? É que às vezes, ou a maior parte das vezes, o corpo  é quem manda. A cabeça bem quer ser jovem, mas o corpo não deixa.

Há dias em que me levanto e a minha cabeça me diz que tenho 30 anos e eu levo um daqueles dias, cheio de afazeres, ginásio, aulas, vida doméstica, num corre, corre, cheia de energia e depois no final do dia o meu corpo lembra-me que tenho 60. É um desmancha prazeres, é isso que ele é.... custa-lhe alguma coisa deixar-me viver na ilusão algum tempo mais.

E depois se dói aqui ou ali, a culpa é do tempo, porque é uma grande instabilidade, ora faz frio, ora faz calor, mas eu quando tinha 30, o meu corpo não dava pelas mudanças bruscas de temperatura. O meu corpo nem se importava com o que a cabeça pensava, porque se sentia bem na sua plenitude. Sentia-se forte, cheio de energia, sempre pronto para mexer....era um aliado à juventude da cabeça.

Agora está de costas voltadas para a cabeça, já nem quer saber se ela quer ter 30, 40 ou 50.

Às vezes faz-lhe a vontade e deixa-a gozar aquela sensação de “eu quero, eu posso, eu faço”, mas depois prega-lhe a partida e pergunta-lhe: ah julgas-te nova não é, estás esquecida que os 30 já lá vão, só tens mais 30 em cima, então toma lá uma dorzita para te lembrares, deixa cá ver onde vai ser....pode ser na zona lombar....ah e aviso-te já...se continuas a abusar, amanhã vai doer-te a cervical também.

E depois dizem que a idade está na cabeça... Só se for com muita persistência para conseguir ultrapassar a má vontade do corpo em relação a isso. Temos que o contrariar. Tenho uma dor aqui e outra ali, eu sei que já não tenho 30, mas posso ir, posso fazer, posso passear, o que não posso é abusar, senão o corpo vinga-se.

Temos que ir gerindo esta relação amor ódio entre a cabeça e o corpo. É que a cabeça não se pode iludir demasiado, em vez de 30 tem que pensar que tem uns 50 saudáveis e ir enganando o corpo. 

Eu digo-lhe baixinho: Olha lá eu sei que tenho 60, mas tem lá calma, não contraries muito a minha cabeça, eu também vou com calma, mas quero ir, quero fazer, ainda quero viver.


15/Maio/2017




terça-feira, 9 de maio de 2017

Salvador Sobral - Amar Pelos Dois (Spain Calling International) Eurovisi...



Se um dia alguém
Perguntar por mim
Diz que vivi
Para te amar

Antes de ti
Só existi
Cansado e sem nada p’ra dar
Meu bem
Ouve as minhas preces
Peço que regresses
Que me voltes a querer

Eu sei
Que não se ama sozinho
Talvez devagarinho
Possas voltar a aprender

Se o teu coração
Não quiser ceder
Não sentir paixão
Não quiser sofrer

Sem fazer planos
Do que virá depois
O meu coração
Pode amar pelos dois

sábado, 6 de maio de 2017


Odeio amuos…
prefiro argumentos
odeio recuos…
prefiro conversa
discussão
evita sofrimentos
e alivia a tensão

fala em vez de calar
grita em vez de silenciar
discute em vez de amuar
só assim podes ultrapassar
e controlar o estado emocional
para uma conversa normal






quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mãe, eu preciso ir..

Mãe
Talvez você demore a compreender, talvez você chore incontáveis noites por ver o ninho vazio, talvez você me ligue com aquela voz embargada, sofrida, de quem está guardando um mundo de saudade em um nó na garganta, mas mãe, eu tenho que ir.
Tenho que aprender a separar a roupa por cores na hora de lavar, tenho que descobrir que a louça continua na pia no dia seguinte, que cheiro de banheiro limpo é bom, principalmente quando fui eu que limpei.
Tenho que aprender a cozinhar mais coisas além de macarrão com salsicha, conto com a internet para me ajudar com isso. Tenho que aprender que o meu salário precisa durar 30 dias e que balada e cerveja não são lá as necessidades mais básicas.
Tenho que me sentir só, tenho que falar para as outras pessoas “minha mãe sempre diz que..” e sentir orgulho dos inúmeros conselhos que você me deu na vida e nem sempre eu dei muito valor. Tenho que identificar as amizades ruins, coisa que você fazia por mim antes, tenho que ser forte e segurar aquele palavrão que o meu chefe merecia mas você me ensinou que um profissional sério não sai de si tão facilmente.
Tenho que criar meus próprios ritos de sábado à tarde, que antes eram fazer bolo e dançar loucamente na cozinha com você. Tenho que tirar o pijama aos domingos, fazer almoço, fazer o jantar e não simplesmente ler um livro enquanto espero que você faça tudo por mim.
Tenho que assistir aquele filme incrível sem companhia e não ter ninguém pra chorar timidamente comigo, tenho que sentir falta do abraço que era a fortaleza que eu precisava em um dia ruim e da sinceridade que me ensinava a ser um ser humano melhor todos os dias.
Mas não pense que é fácil para mim, vai doer todos os dias da minha vida, não voltar para casa e ver seu sorriso tranquilo, poder contar cada detalhe do dia e não sentir um mínimo sinal de tédio no seu rosto.
Vou sentir saudade mesmo quando eu tiver dois filhos, mesmo quando eu tiver oitenta anos, mesmo quando eu tiver escrito o melhor livro da história.
Preciso ir mãe mas te levo sempre comigo.

Samanta Selzler


terça-feira, 25 de abril de 2017

Fiz este poema pelos 40 anos da Liberdade.... Decorridos 3 anos, podemos ter esperança de não deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir?.....


Era uma vez… o 25 de Abril
A tão proclamada e desejada liberdade,
Passaram 40 anos, que mais parecem mil,
Mas o “Agora” é uma dura realidade…

Volta o pé descalço, a fome envergonhada,
Crianças de estômago vazio nas escolas,
Somos roubados pelo Governo à descarada,
Como se as nossas reformas fossem esmolas

Semeia-se a fome, a miséria, o desemprego
Os jovens que emigrem para outros países,
Esquecendo pelo seu País qualquer apego,
E se for preciso, até podem cortar suas raízes

Cortam-se nos salários para as contas equilibrar
Corta-se na saúde, nas reformas e na educação,
Afinal que rumo é este, onde é que vamos parar?
Como se aumenta a economia com esta gestão?

O empobrecimento da Pátria é um ultraje e uma má memória
Para quem conheceu os velhos tempos da nossa história,
Oh Povo acordai, acordai, está na hora de reagir
Não vamos deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

António Lobo Antunes

É da tua mão que eu preciso agora.

Há momentos, sabes, em que me sinto tão cansado,todos estes dias cheios de palavras que me fogem.Então penso em ti :Joana.

Penso: vou contar-te uma coisa.

Há pouco tempo morreu a filha de um amigo meu, um homem generoso e bom, melhor do que alguma vez fui. Um cemitério é um lugar horrível. 

Depois de tudo acabar voltei para o automóvel. Eram muitos passos nas veredas a voltarem para os automóveis.O caixãozinho branco. Aquelas árvores que tu conheces de quando a gente há dois anos. Despedi-me das pessoas um pouco só acaso, sem sentir os dedos que apertava:têm tantos dedos as pessoas.

Nem me lembro porquê abri a mala do carro.Estavam lá dentro coisas tuas de Espanha: batas, papéis, as inutilidades confusas que estás sempre a juntar. Peguei numa das batas e abracei-a.E desatei num choro de menino,de cabeça inclinada para a mala do carro na esperança de que não me vissem. Depois limpei o nariz à manga, nunca perdi o hábito de enxugar o nariz à manga, engoli-me a mim mesmo e vim-me embora.

Sempre que me sento no teu carro lembro -me de ti. Também me lembro quando não me sento no carro mas sempre que me sento no carro lembro -me de ti. De ti e de Malange onde começaste a ser, e as mangueiras tremem-me no interior do sangue.

Mas é da tua mão que preciso agora.  Há momentos em que me farto de ser homem: tudo tão pesado, tão estranho, tão difícil. Eu vou tendo paciência e no entanto, às vezes as coisas magoam, há ideias que entram na gente como espinhos. Não se podem tirar com uma pinça:ficam lá.

É então que a cara principia a estragar-se Eva gente dizem envelhece.

É da tua mão que eu preciso agora

Segundo Livro de Crónicas.



terça-feira, 21 de março de 2017

A poesia é a música da alma
e espelho dos sentimentos,
pode transmitir algo que acalma
como pode desvendar sofrimentos

É jogo de palavras com significado
pintando a vida com elas
sendo ou não em sentido figurado
poderiam reproduzir várias telas

É uma simples fonte de inspiração
numa autêntica liberdade do sentir
eleva-nos, dando asas à imaginação
nos envolve, e apela a reflectir

É a cor da vida, uma forma de expressão
é dizer o indizível com simplicidade,
e, é quando abrimos o coração
que a “Poesia” se harmoniza em cumplicidade



2014

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO "ABRAÇO-TE"

09/MARÇO/2017




Simplesmente magico! É assim que caraterizo a noite em que tive a honra de apresentar o livro com textos da grande Maria Dias e desenhos de Maria Teresa Caio. Uma grande noite só possível a uma grande equipa! Boutique da Cultura surpreende mais uma vez! Feliz! Muito Feliz! Obrigadoooooo a todos!!!!!! 😍😍😍😍 (Fotos: Paulo Rocha) — comDiana LucasAna Mafalda CostaJoana Tavares,Maria DiasMaria Teresa CaioPaulo Quaresma,Marta Mateus e Sónia Maria Bispo Correia.

João Borges Oliveira








quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

POEMA AOS HOMENS CONSTIPADOS
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer
António Lobo Antunes - (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Viagem em Pensamento

  
Esta é a viagem 
que mais gosto de fazer
nem preciso de passagem 
e está sempre a acontecer 

Embarco no passado
e vou onde eu quiser...
sem pressas e sem bagagem
aí visito a minha infância
num calmo e doce reviver
e nem importa a distância

Instalo-me no hotel das Histórias
que fica na Rua das Memórias
é um hotel com muitas estrelas
lindo, mas sem portas nem janelas

Perco me por aqui e por ali
e,  quando preciso voltar
trago em mim tudo o que vivi
para uma história contar 

Agora tenho que ir
para mais uma viagem
- alguém quer vir?
Já sabem
Não é preciso bagagem 


(Escrito para o Boa Noite Viagem)
Janeiro 2017

   
Maria Dias






O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Os dois sonetos de amor da Hora Triste". 
Foi o poema escolhido para marcar a cerimónia de despedida de Mário Soares. 

Poema carregado de simbolismo, declamado pela companheira de 66 anos de vida do antigo presidente da República, Maria Barroso, que faleceu a 7 de Julho de 2015.


Quando eu morrer - e hei de morrer primeiro
Do que tu - não deixes de fechar-me os olhos
Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
E ver-te-ás de corpo inteiro.

Como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
Fecha-me os olhos com um beijo.

(Eu, Marco Póli)
Farei a nebulosa travessia
E o rastro da minha barca
Segui-los-á em pensamento.

Abarca
Nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus,


II
Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já,
Como a alguém que se espera a cada instante.

Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora


Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?





domingo, 8 de janeiro de 2017



Poema de amor, escrito por MÁRIO SOARES a MARIA BARROSO, em 1962, quando se encontrava detido na prisão do Aljube.

Para ti
Meu amor
Levanto a voz

No silêncio
Desta solidão em que me encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós
Sei que me ouves
Agora…
… uma vez mais
Apesar da distância
E do silêncio
Opera esse milagre
Simples
Como tudo o que é natural