quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Há dias em que as “palavras”
Não chegam para expressar
Os sentimentos,
Fica o silêncio….
Reflectido num olhar,
Sem ressentimentos,
Nada é preciso dizer,
Apenas sentir,
Transmitir,
Observar,
Não fugir,
Amar,
Ficar em comunhão,
O silêncio escutar,
Dar a mão
E sentir o coração!




Maria Dias

E foi assim mais um poema interpretado por João Borges Oliveira, no "Boa Noite Silêncio"



terça-feira, 28 de outubro de 2014


Sentada junto à porta, Carla não sabia o que fazer. Não sabia se devia entrar, ou se devia partir, naquele instante, só lhe restava ficar. E ali permanecia estática a pensar nele. A pensar no vazio do seu lugar. O vazio do aconchego, o vazio da ternura, o vazio do amor.
“Ai a falta que me fazes” suspirava ela. E eu sei que tu não querias partir, vi-o nos teus olhos, mas partiste! E ficou aquele lugar vazio, apenas cheio da saudade do teu calor. O teu calor que me embalava antes de adormecer. E agora como vou fazer? Sinto frio, um frio que dói, dói muito, e cá no fundo. Quem me vai sussurrar ao ouvido palavras ternas de embalar, quem me vai aquecer?”
E Carla ali estava, tendo como companhia, apenas o silêncio das palavras dele. O silêncio dos seus passos e o silêncio dos seus beijos.
“Como é que vou sobreviver? Naquele quarto só o silêncio permanece. Ele e eu. Receio enlouquecer com este silêncio que me envolve” - Continuava ela a pensar.

E ali permaneceu, sentada junto à porta, sem saber o que fazer!

Maria Dias




E foi assim mais um texto dito e encenado por Joana Tavares no "Boa Noite Silêncio" 



Nunca fui às Berlengas

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Aqui fica a minha página no Boletim da Arpic de Novembro 2014:

O CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS,  CONTOS E OUTROS…..



Novembro é o mês do S.Martinho, por isso recordemos a Lenda de S.Martinho:

Martinho era um valente soldado romano, que estava a regressar de Itália para a sua terra, algures em França.

Montado no seu cavalo estava a passar num caminho para atravessar uma serra muito alta, os Alpes, e, lá no alto, fazia muito frio, vento e mau tempo.

Martinho estava agasalhado, tinha uma capa vermelha, que os soldados romanos normalmente usavam.







De repente, aparece-lhe um homem muito pobre, vestido de roupas velhas e rotas, cheio de frio e que lhe pediu esmola.

Infelizmente, Martinho não tinha nada para lhe dar. Então, pegou na espada, levantou-a e deu um golpe na sua capa. Cortou-a ao meio e deu metade ao pobre.

Nesse momento, de repente, as nuvens e o mau tempo desapareceram. Parecia que era Verão.

Foi como uma recompensa de Deus a Martinho por ele ter sido tão bom.


É por isso que todos os anos, nesta altura do ano, mesmo sendo Outono, durante cerca de alguns dias o tempo fica melhor e mais quente: é o chamado Verão de S.Martinho.















“Que o desejo de ajudar o próximo consiga sempre superar o egoísmo e falta de esperança no ser humano”











Maria Dias

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"Uns nasceram para cantar, outros para dançar, outros nasceram simplesmente para serem outros. Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. 
Escrevo bem, silêncios, no plural.
Sim, porque não há um único silêncio.
E todo o silêncio é música em estado de gravidez."

Mia Couto

quinta-feira, 16 de outubro de 2014