sábado, 6 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Mãe, eu preciso ir..
Mãe
Talvez você demore a compreender, talvez você chore incontáveis noites por ver o ninho vazio, talvez você me ligue com aquela voz embargada, sofrida, de quem está guardando um mundo de saudade em um nó na garganta, mas mãe, eu tenho que ir.
Tenho que aprender a separar a roupa por cores na hora de lavar, tenho que descobrir que a louça continua na pia no dia seguinte, que cheiro de banheiro limpo é bom, principalmente quando fui eu que limpei.
Tenho que aprender a cozinhar mais coisas além de macarrão com salsicha, conto com a internet para me ajudar com isso. Tenho que aprender que o meu salário precisa durar 30 dias e que balada e cerveja não são lá as necessidades mais básicas.
Tenho que me sentir só, tenho que falar para as outras pessoas “minha mãe sempre diz que..” e sentir orgulho dos inúmeros conselhos que você me deu na vida e nem sempre eu dei muito valor. Tenho que identificar as amizades ruins, coisa que você fazia por mim antes, tenho que ser forte e segurar aquele palavrão que o meu chefe merecia mas você me ensinou que um profissional sério não sai de si tão facilmente.
Tenho que criar meus próprios ritos de sábado à tarde, que antes eram fazer bolo e dançar loucamente na cozinha com você. Tenho que tirar o pijama aos domingos, fazer almoço, fazer o jantar e não simplesmente ler um livro enquanto espero que você faça tudo por mim.
Tenho que assistir aquele filme incrível sem companhia e não ter ninguém pra chorar timidamente comigo, tenho que sentir falta do abraço que era a fortaleza que eu precisava em um dia ruim e da sinceridade que me ensinava a ser um ser humano melhor todos os dias.
Mas não pense que é fácil para mim, vai doer todos os dias da minha vida, não voltar para casa e ver seu sorriso tranquilo, poder contar cada detalhe do dia e não sentir um mínimo sinal de tédio no seu rosto.
Vou sentir saudade mesmo quando eu tiver dois filhos, mesmo quando eu tiver oitenta anos, mesmo quando eu tiver escrito o melhor livro da história.
Preciso ir mãe mas te levo sempre comigo.
Samanta Selzler
terça-feira, 25 de abril de 2017
Fiz este poema pelos 40 anos da Liberdade.... Decorridos 3 anos, podemos ter esperança de não deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir?.....
Era uma vez… o 25 de Abril
A tão proclamada e desejada liberdade,
Passaram 40 anos, que mais parecem mil,
Mas o “Agora” é uma dura realidade…
A tão proclamada e desejada liberdade,
Passaram 40 anos, que mais parecem mil,
Mas o “Agora” é uma dura realidade…
Volta o pé descalço, a fome envergonhada,
Crianças de estômago vazio nas escolas,
Somos roubados pelo Governo à descarada,
Como se as nossas reformas fossem esmolas
Crianças de estômago vazio nas escolas,
Somos roubados pelo Governo à descarada,
Como se as nossas reformas fossem esmolas
Semeia-se a fome, a miséria, o desemprego
Os jovens que emigrem para outros países,
Esquecendo pelo seu País qualquer apego,
E se for preciso, até podem cortar suas raízes
Os jovens que emigrem para outros países,
Esquecendo pelo seu País qualquer apego,
E se for preciso, até podem cortar suas raízes
Cortam-se nos salários para as contas equilibrar
Corta-se na saúde, nas reformas e na educação,
Afinal que rumo é este, onde é que vamos parar?
Como se aumenta a economia com esta gestão?
Corta-se na saúde, nas reformas e na educação,
Afinal que rumo é este, onde é que vamos parar?
Como se aumenta a economia com esta gestão?
O empobrecimento da Pátria é um ultraje e uma má memória
Para quem conheceu os velhos tempos da nossa história,
Oh Povo acordai, acordai, está na hora de reagir
Não vamos deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir!
Para quem conheceu os velhos tempos da nossa história,
Oh Povo acordai, acordai, está na hora de reagir
Não vamos deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir!
domingo, 23 de abril de 2017
segunda-feira, 10 de abril de 2017
António Lobo Antunes
É da tua mão que eu preciso agora.
Há momentos, sabes, em que me sinto tão cansado,todos estes dias cheios de palavras que me fogem.Então penso em ti :Joana.
Penso: vou contar-te uma coisa.
Há pouco tempo morreu a filha de um amigo meu, um homem generoso e bom, melhor do que alguma vez fui. Um cemitério é um lugar horrível.
Depois de tudo acabar voltei para o automóvel. Eram muitos passos nas veredas a voltarem para os automóveis.O caixãozinho branco. Aquelas árvores que tu conheces de quando a gente há dois anos. Despedi-me das pessoas um pouco só acaso, sem sentir os dedos que apertava:têm tantos dedos as pessoas.
Nem me lembro porquê abri a mala do carro.Estavam lá dentro coisas tuas de Espanha: batas, papéis, as inutilidades confusas que estás sempre a juntar. Peguei numa das batas e abracei-a.E desatei num choro de menino,de cabeça inclinada para a mala do carro na esperança de que não me vissem. Depois limpei o nariz à manga, nunca perdi o hábito de enxugar o nariz à manga, engoli-me a mim mesmo e vim-me embora.
Sempre que me sento no teu carro lembro -me de ti. Também me lembro quando não me sento no carro mas sempre que me sento no carro lembro -me de ti. De ti e de Malange onde começaste a ser, e as mangueiras tremem-me no interior do sangue.
Mas é da tua mão que preciso agora. Há momentos em que me farto de ser homem: tudo tão pesado, tão estranho, tão difícil. Eu vou tendo paciência e no entanto, às vezes as coisas magoam, há ideias que entram na gente como espinhos. Não se podem tirar com uma pinça:ficam lá.
É então que a cara principia a estragar-se Eva gente dizem envelhece.
terça-feira, 21 de março de 2017
A poesia é a música da alma
e espelho dos sentimentos,
pode transmitir algo que acalma
como pode desvendar sofrimentos
É jogo de palavras com significado
pintando a vida com elas
sendo ou não em sentido figurado
poderiam reproduzir várias telas
É uma simples fonte de inspiração
numa autêntica liberdade do sentir
eleva-nos, dando asas à imaginação
nos envolve, e apela a reflectir
É a cor da vida, uma forma de expressão
é dizer o indizível com simplicidade,
e, é quando abrimos o coração
que a “Poesia” se harmoniza em cumplicidade
2014
LANÇAMENTO DO MEU LIVRO "ABRAÇO-TE"
09/MARÇO/2017
João Borges Oliveira
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