quarta-feira, 30 de março de 2016

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Ela fechou os olhos, inclinou o rosto em direcção ao céu e deixou que a brisa marítima lhe fizesse cócegas nas pálpebras…gaivotas a conversar mais ao longe na praia, um insecto que passou junto ao seu ouvido, ondas suaves que batiam ritmadamente na praia. Foi avassalada por uma enorme sensação de serenidade ao fazer corresponder a respiração com o ritmo do mar. A chuva recente remexera a água salgada e o odor intenso misturava-se no vento.
Abriu os olhos e contemplou a paisagem com lentidão, achou maravilhoso, sentiu invadir-se por uma alegria imensa e pensou: “É isto o que os pássaros devem sentir quando voam por cima da praia”. Aquela alegria era como uma brisa suave. Um sentimento tão intenso e ao mesmo tempo tão simples.
Questionou-se sobre o porquê de complicarmos as coisas. Quis entender o porquê dos nossos olhos se gastarem no dia-a-dia, parecendo por vezes opacos, e quando isso acontece instala-se no nosso coração o monstro da indiferença.
Mas que ironia esta, a de tanto querermos e acabarmos por esquecer as coisas mais simples da vida, tão simples como a natureza, que se nos oferece simplesmente ao nosso olhar, para que dela desfrutemos e nos possamos sentir cheios de alegria por viver!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Equilíbrio é habilidade
de saber olhar a vida,
enfrentando a realidade
e a partir da experiência vivida
criar uma clara perspectiva
para na hora da verdade
agir com alguma sensatez
porque o tempo não volta
o tempo passa de vez!



Abril 2012

domingo, 27 de março de 2016

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.



O teatro

Ah aqueles momentos
do faz de conta
que nos transportam
ao mundo da fantasia,
ora nos dão alegria
ou tristeza, pouco importa.
são momentos de sonho
doces ilusões
batem os corações,
miscelânea de emoções,
em que a realidade
se confunde com a teatralidade,
a vida essa,
pode ser representada
idealizada
retratada
mas nunca alterada.
quando o pano fechar,
os sonhos ficam para trás
e a vida vai continuar!


Maria Dias
27.Março.2012


sábado, 26 de março de 2016

O que o espelho me diz.....

Há dias em que o espelho me mente e o que vejo me satisfaz, deve ser porque na minha memória ainda permanecem os traços do antigamente. Noutros dias fico chocada com a realidade da imagem que tenho à minha frente – um reflexo que pertence a mim mesma e que me diz exactamente o que já perdi – o reflexo de uma imagem de uma mulher madura, em cujos ângulos não resta espaço para a frescura de outrora.
Mas hoje, quando ao olhar de relance para o meu espelho, a imagem que vi reflectida emergiu perante um foco de luz, e quando ganhou nitidez não era exactamente eu.  Mas era um rosto quase praticamente igual ao meu. A aparente e enganadora imagem era o rosto da minha mãe. Era difícil de acreditar, mas aquela imagem fez-me estremecer, custava a acreditar que aquela mulher fosse eu. A sua presença  fez-me vacilar “entre o eu e o ela” e  fez-me estremecer quando aquele olhar me acariciava. Quis fugir dali, mas não fugi. Senti a minha pele a ficar quente e depois fria e a pulsação a latejar-me nas têmporas. Uma série de imagens vertiginosas surgiram na minha cabeça. Havia qualquer coisa extremamente calma no olhar dela mas eu estava em estado de choque obviamente, embora sem ter a noçao disso.
O meu coração batia acelerado ao mesmo tempo que aquele rosto se tornava cada vez mais jovem e mais deslumbrante. Eu sabia que na sua juventude, ela fora muito bonita, de longe mais bonita que eu. Extasiada com a sua beleza, foi com surpresa que vi aquela mulher envelhecer numa fração de segundos -nada dura para sempre- e a doce recordação deu lugar a uma imagem que me arrepia e que quero esquecer, a imagem do seu rosto na hora de partir.



Março 2016


terça-feira, 22 de março de 2016

O que se passa com o ser humano? Porque é que o animal racional age desumanamente, tornando-se cruel, mesmo estando inserido numa sociedade? Ou será que é por isso que o seu lado racial supera tudo o que possa haver de bom no ser humano.   O homem que ainda não aprendeu a respeitar a existência alheia. Porque será que o homem pode tanto e atinge tão pouco? Porque o homem se está a transformar numa espécie capaz de cometer actos bárbaros por prazer ou por não se importar com a dor alheia?

Será que está na hora de inventar uma nova humanidade? Uma espécie humana que saiba respeitar o outro.

 Maria Dias


22.Março.2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

Dia mundial da árvore

Silêncio…consegues ouvi-lo? As árvores conseguem. São as primeiras a saber que está a chegar. Escuta! As árvores do bosque profundo e escuro, estremecendo e agitando as folhas como invólucros finos de prata velha, o vento dissimulado, sussurrando o que não tardará a acontecer…..

o que ela nos sussura:

Passas por mim indiferente
Mas gosto de te ver passar
Deixas-me feliz e contente
Lembra-te que sou tua amiga
E que gosto de te confortar
No calor dou-te a sombra
E comigo podes descansar
As minhas folhas são o desejo
As minhas flores são a esperança
Os meus frutos são um prazer
E neste meu humilde lugarejo
Represento a Perseverança
Porque estou sempre a renascer
E mesmo quando já não tenho
Nem folhas, nem flores, nem frutos
Ainda estou presa à terra
Por isso, deixa-me viver!



Maria Dias
2014