quarta-feira, 30 de agosto de 2017
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
sábado, 19 de agosto de 2017
Neste
dia mundial de fotografia (19 de Agosto), recordo a frase de José Saramago:
“Se
puderes olhar, vê. Se podes ver, Repara”
Retratos
são pedaços da nossa história
alguns
já se distanciam da realidade,
são
momentos que ficam na nossa memória
que
vão permanecer até à eternidade
Retratos
são testemunhos, alguns com significado
que
fixaram para sempre aqueles instantes precisos,
pequenos
gestos duma fracção de tempo do passado,
um
registo definitivo de expressões e de sorrisos
E
o que começa por ser um registo da realidade
poderá
passar a ser, não mais do que uma lembrança,
não
mais do que um modo de evitar a distância,
mas
que permanecerá para matar a saudade
segunda-feira, 31 de julho de 2017
No outro dia, uma jovem jovem perguntou-me: " o que sentes em ser velha?
Fiquei surpreendida com a pergunta, já que nunca me senti velha. Quando a rapariga viu a minha reacção, ela pediu-me desculpa, mas expliquei-lhe que era uma pergunta interessante.
E depois pensei, pensei que envelhecer é um presente.
Às vezes, surpreende-me a pessoa que vejo no meu espelho. Mas não me preocupo com ela há muito tempo. Eu não mudaria nada do que eu tenho para algumas rugas em menos e uma barriga plana. Não me crítica mais porque não gosto de arrumar a cama, ou porque não como algumas " coisas.
Sinto-me finalmente no meu direito de ser desordenada, extravagante e passar as minhas horas contemplando as flores.
Eu vi alguns queridos amigos sair deste mundo, antes de desfrutar da liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem se importa se eu optar por ler ou jogar no computador até às 4 da manhã e depois dormir até quem sabe que agora?
Quem se importa se eu dançar sozinha ouvindo a música dos anos 50?
E se depois eu quiser chorar por um amor perdido?
E se eu andar na praia de roupa de banho, levar a passear meu corpo gordinho e me mergulhar entre as ondas deixando-me embalar, apesar dos olhares daqueles que ainda usam o biquíni, serão velhos também se tiverem sorte.
É verdade que através dos anos o meu coração sofreu pela perda de uma pessoa querida, mas é o sofrimento que nos dá força e nos faz crescer.
Um coração que não se partiu, é estéril e nunca vai saber da felicidade de ser imperfeito.
Estou orgulhosa de ter vivido o suficiente para fazer branquear o meu cabelo e para manter o sorriso da minha juventude, de quando ainda não havia sulcos profundos no meu rosto.
Ora, para responder à pergunta com sinceridade, posso dizer:
Eu gosto de ser velha, porque a velhice me faz mais sábia, mais livre!
Eu sei que não vou viver para sempre, mas enquanto estou aqui, quero viver de acordo com as minhas leis, as do meu coração. Não quero reclamar pelo que não foi, nem me preocupar com o que será. No tempo que resta, simplesmente amarei a vida como fiz até hoje, o resto eu deixo a Deus.
Sandra Benedita
Era
uma vez.... um rapaz chamado “Coração”
Toda a gente gostava daquele rapaz. Era tão
querido -diziam uns, tão emotivo- diziam outros, mas que ele era um rapaz fraco,
lá isso era, deixava-se levar com facilidade e disso todos concordavam.
“Coração”
era esse o seu nome, vivia uma vida simples, mas cheia de emoções. Não
conseguia alhear-se das coisas, vivia-as com uma intensidade demasiado forte.
Atraía sempre demasiados problemas, causando-lhe depois grandes sofrimentos.
Era um apaixonado por “Cabeça”, uma rapariga desenvolta e decidida. Ela sentia-se ligada a
ele, mas de uma forma mais solta, nunca se sentia apaixonada, todavia não
imaginava a vida sem ele.
Ela irritava-se muito por ele agir tão
impulsivamente com tudo, já que ela não era nada assim. Ela conseguia pensar e
decidir mais friamente como resolver os problemas.
Mas tinham admiração um pelo outro:
Ela invejava a capacidade que ele tinha de se deixar fascinar
pelas pequenas subtilezas da natureza, pelas pequenas subtilezas das emoções,
pelas pequenas subtilezas da vida.
Ele invejava a forma fria e concisa que ela tinha de encarar e
ultrapassar os obstáculos constantes da vida.
Gozavam momentos de um
afecto fácil e de uma proximidade serena, que lhe recordavam constantemente que,
embora diferentes, se completavam. E foi então que decidiram casar-se. Ela nunca na vida tinha virado uma página tão depressa, mas dessa
vez deixou-se levar pelo Coração.
Todos achavam que não iria dar certo, por
serem tão diferentes um do outro. E na verdade era mais o tempo em que pareciam
o cão e o gato.
Ele sentia-se sempre em estado de paixão e
amor, mas ela era tão racional e tão fria que não conseguia viver esses sentimentos na sua plenitude.
Passados alguns anos tiverem uma filha a que
deram o nome de “Razão”. Uma criança
maravilhosa, que se tornou numa jovem sensata e determinada. Ela veio
equilibrar a vida de ambos, proporcionando mais emoção à Cabeça e mais sensatez
ao Coração.
A Razão não entendia porque é que o pai se
emocionava tanto com tudo:
- Oh Mãe, porque é que o pai chora quando
está triste e também quando está alegre?
O pai emociona-se com facilidade, ele é mesmo
assim – dizia-lhe a mãe: e nunca te podes esquecer disto:
“O teu pai é assim porque tem razões que tu própria desconheces”
2016
domingo, 30 de julho de 2017
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