A minha página para o Boletim da Arpic de Abril:
O
CANTINHO DA POESIA, PENSAMENTOS, CONTOS E OUTROS…..
Neste mês comemoram-se os 40 anos do 25 de Abril,
bem gostaria que o meu poema e o meu desabafo fossem diferentes
Era
uma vez… o 25 de Abril
A
tão proclamada e desejada liberdade,
Passaram
40 anos, que mais parecem mil,
Mas
o “Agora” é uma dura realidade…
Volta
o pé descalço, a fome envergonhada,
Crianças
de estômago vazio nas escolas,
Somos
roubados pelo Governo à descarada,
Como
se as nossas reformas fossem esmolas
Semeia-se
a fome, a miséria, o desemprego
Os
jovens que emigrem para outros países,
Esquecendo
pelo seu País qualquer apego,
E
se for preciso, até podem cortar suas raízes
Cortam-se
nos salários para as contas equilibrar
Corta-se
na saúde, nas reformas e na educação,
Afinal
que rumo é este, onde é que vamos parar?
Como
se aumenta a economia com esta gestão?
O
empobrecimento da Pátria é um ultraje e uma má memória
Para
quem conheceu os velhos tempos das nossa história,
Oh
Povo acordai, acordai, está na hora de reagir
Não
vamos deixar a Liberdade do 25 de Abril fugir!
Desabafo:
Entrei
na reforma involuntariamente, motivado pela conjuntura ocorrida na época
(2006/2007), a moda das fusões, a centralização Ibérica, ficando nós na maioria
dos casos a depender dos nuestros hermanos.
E o que se seguia, era depois de não precisarem de nós, fecharem em
Portugal e manterem a actividade em Espanha. Também não lhes valeu de muito,
mas isso agora não interessa.
Trabalhei
mais de 33 anos, descontei uma vida inteira, e não foi pouco. Os meus últimos
anos da minha vida profissional foram passados numa multinacional, trabalhei
arduamente, ganhava bem, “descontava bem”. Por isso, sempre pensei que iria ter
uma reforma desafogada, que me permitisse pelo menos ter uma vida descansada,
sem preocupações. Sendo “obrigada” a deixar de trabalhar mais cedo, mesmo com
os enormes cortes inerentes a essa situação, tentei adaptar-me à pensão que
iria receber. E resignei-me, aliás sempre a tentar não esquecer que há
situações bem piores.
Agora o
que não consigo resignar-me é com o cenário actual. Os cortes têm sido
sucessivos, e como deixei de ter recibos nunca sei com o que conto. E o pior, é
o medo do dia de amanhã, o medo de não se conseguir ajudar os filhos no
desemprego, o medo da falta de saúde e da assistência à mesma nos faltar. Esta
insegurança latente no nosso dia-a-dia, leva-nos a uma revolta e a uma angústia
desmedida. Como é possível sermos tratados assim? Como se nos tivessem a dar
uma esmola, como se os “reformados” os velhos e os menos velhos, estivessem a
mais neste País. Como se fossemos nós que tivéssemos gasto para além das nossas
possibilidades. Estamos a pagar a factura com uma crueldade desmedida e o que
mais me entristece, sem ver frutos desse sacrifício.
Não foi
este o País em que desejei viver o resto dos meus dias. Receio pelo nosso
futuro e pelo futuro dos meus filhos.
É com
muita força de vontade que tento superar esta revolta para viver o melhor
possível o “presente”, evitando pensar demasiado no “futuro”.
Maria Dias
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