quinta-feira, 21 de março de 2019
Dia 21 de Março dia mundial da árvore
Silêncio…consegues ouvi-lo? As árvores conseguem.
São as primeiras a saber que está a chegar. Escuta! As árvores do bosque profundo e escuro, estremecendo e agitando as
folhas como invólucros finos de prata velha, o vento dissimulado, sussurrando o
que não tardará a acontecer…..
E a árvore sussurra-nos:
Passas por mim indiferente
mas gosto de te ver passar
deixas-me feliz e contente
lembra-te que sou tua amiga
e que gosto de te confortar
no calor dou-te a sombra
e comigo podes descansar,
as minhas folhas são o desejo,
as minhas flores são a esperança,
os meus frutos são um prazer
e neste meu humilde lugarejo
represento a Perseverança
porque estou sempre a renascer
e mesmo quando já não tenho
nem folhas, nem flores, nem frutos
ainda estou presa à terra
por isso, deixa-me viver!
Outubro 2012
Dia 21 de Março dia mundial da poesia
A
poesia é a música da alma
e
espelho dos sentimentos
pode
transmitir algo que acalma
como
pode desvendar sofrimentos
É
jogo de palavras com significado
pintando
a vida com elas
sendo
ou não em sentido figurado
poderiam
reproduzir várias telas
É
uma simples fonte de inspiração
numa
autêntica liberdade do sentir
eleva-nos,
dando asas à imaginação
nos
envolve, e apela a reflectir
É a
cor da vida, uma forma de expressão
é
dizer o indizível com simplicidade,
e,
é quando abrimos o coração
que
a “Poesia” se harmoniza em cumplicidade
sábado, 16 de março de 2019
"O coração tem razões que a própria razão desconhece"
Era
uma vez.... um rapaz chamado “Coração”
Toda a gente gostava daquele rapaz. Era tão
querido -diziam uns, tão emotivo- diziam outros, mas que ele era um rapaz fraco,
lá isso era, deixava-se levar com facilidade e disso todos concordavam.
“Coração”
era esse o seu nome, vivia uma vida simples, mas cheia de emoções. Não
conseguia alhear-se das coisas, vivia-as com uma intensidade demasiado forte.
Atraía sempre demasiados problemas, causando-lhe depois grandes sofrimentos.
Era um apaixonado por “Cabeça”, uma rapariga desenvolta e decidida. Ela sentia-se ligada a
ele, mas de uma forma mais solta, nunca se sentia apaixonada, todavia não
imaginava a vida sem ele.
Ela irritava-se muito por ele agir tão
impulsivamente com tudo, já que ela não era nada assim. Ela conseguia pensar e
decidir mais friamente como resolver os problemas.
Mas tinham admiração um pelo outro:
Ela invejava a capacidade que ele tinha de se deixar fascinar
pelas pequenas subtilezas da natureza, pelas pequenas subtilezas das emoções,
pelas pequenas subtilezas da vida.
Ele invejava a forma fria e concisa que ela tinha de encarar e
ultrapassar os obstáculos constantes da vida.
Gozavam momentos de um
afeto fácil e de uma proximidade serena, que lhe recordavam constantemente que,
embora diferentes, se completavam. E foi então que decidiram casar-se. Ela nunca na vida tinha virado uma página tão depressa, mas dessa
vez deixou-se levar pelo Coração.
Todos achavam que não iria dar certo, por
serem tão diferentes um do outro. E na verdade era mais o tempo em que pareciam
o cão e o gato.
Ele sentia-se sempre em estado de paixão e
amor, mas ela era tão racional e tão fria que não conseguia viver esses sentimentos na sua plenitude.
Passados alguns anos tiverem uma filha a que
deram o nome de “Razão”. Uma criança
maravilhosa, que se tornou numa jovem sensata e determinada. Ela veio
equilibrar a vida de ambos, proporcionando mais emoção à Cabeça e mais sensatez
ao Coração.
A Razão não entendia porque é que o pai se
emocionava tanto com tudo:
- Oh Mãe, porque é que o pai chora quando
está triste e também quando está alegre?
O pai emociona-se com facilidade, ele é mesmo
assim – dizia-lhe a mãe: e nunca te podes esquecer disto:
“O teu pai é assim porque tem razões que tu própria desconheces”
MD
2016
sábado, 9 de março de 2019
Cora Coralina poetisa brasileira
Anna Lins dos Guimarães, ou simplesmente Cora Coralina, começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos, publicando-os posteriormente nos jornais da cidade de Goiania, e nos jornais de outras cidades, como constitui exemplo o semanário “Folha do Sul” da cidade Goiana de Bela Vista e nos periódicos de outros rincões, assim como a revista A Informação Goiana do Rio de Janeiro, que começou a ser editada a 15 de Julho de 1917. Apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries.
Os elementos folclóricos que faziam parte do quotidiano de Ana serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse um nível de qualidade literária jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.
Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu quotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.
Algumas frases das muitas que compõem sua belíssima obra:
Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor. — Cora Coralina
Enfeitei de folhas verdes a pedra de meu túmulo num simbolismo de vida vegetal.— Cora Coralinha
Morta… serei árvore, serei tronco, serei fronde e minhas raízes enlaçadas às pedras de meu berço são as cordas que brotam de uma lira. — Cora Coralina
Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade. — Cora Coralina
Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. — Cora Coralina
Procuro suportar todos os dias minha própria personalidade renovada, despencando dentro de mim tudo que é velho e morto. — Cora Coralina
O amigo não passa a mão quando fizemos algo errado, está firme ao nosso lado, puxa a orelha, chama a razão! — Cora Coralina
Nasci em tempos rudes. Aceitei contradições, lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo. Aprendi a viver. — Cora Coralina
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.— Cora Coralina
Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma. — Cora Coralina
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. — Cora Coralina
Criança periférica, rejeitada / Teu mundo é o submundo. — Cora Coralina
Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. — Cora Coralina
Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores. — Cora Coralina
O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes. — Cora Coralina
O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. — Cora Coralina
A Verdadeira coragem é ir atrás de seus sonhos mesmo quando todos dizem que ele é impossível. — Cora Coralina
Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo. — Cora Coralina
Me esforço para ser melhor a cada dia. Pois bondade também se aprende. — Cora Coralina
Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. — Cora Coralina
É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça. — Cora Coralina
Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade. — Cora Coralina
Verso do poema: minha cidade, minha vida, meus sentimentos, minha estética, todas as vibrações de minha sensibilidade de mulher, têm, aqui, suas raízes. — Cora Coralina
Eu sou a dureza desses morros revestidos, enflorados, lascados a machado, lanhados, lacerados. Queimados pelo fogo Pastados, calcinados e renascidos. — Cora Coralina
Coração é terra onde ninguém vê. — Cora Coralina
Poeta, não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso. — Cora Coralina
Mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros. — Cora Coralina
Acredito nos jovens à procura de caminhos novos abrindo espaços largos na vida. Creio na superação das incertezas deste fim de século. — Cora Coralina
Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos. — Cora Coralina
Nas palmas de tuas mãos leio as linhas da minha vida. — Cora Coralina
Versos… não. Poesia… não. Um modo diferente de contar velhas estórias. — Cora Coralina
Renovadora e reveladora do mundo. — Cora Coralina
Embora não possamos acrescentar dias à sua vida, podemos acrescentar vida aos seus dias. — Cora Coralina
Aprendi que mais vale lutar do que recolher dinheiro fácil. Antes acreditar do que duvidar. — Cora Coralina
Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou. — Cora Coralina
Quis ser um dia, jardineira de um coração. Cavei, plantei. Na terra ingrata nada criei. — Cora Coralina
Procuro suportar todos os dia minha própria personalidade renovada, despencando dentro de mim, tudo que é velho e morto. — Cora Coralina
Melhor do que a criatura, fez o criador a criação. A criatura é limitada. O tempo, o espaço, normas e costumes. Erros e acertos. A criação é ilimitada. Excede o tempo e o meio. Projeta-se no cosmos. — Cora Coralina
A humanidade se renova no teu ventre. Cria teus filhos, não os entregues à creche. Creche é fria, impessoal. Nunca será um lar para teu filho. Ele, pequenino, precisa de ti. Não o desligues da tua força maternal. — Cora Coralina
Linhas cruzadas, sinuosas, interferindo no teu destino. Não te procurei, não me procurastes – íamos sozinhos por estradas diferentes. — Cora Coralina
sexta-feira, 8 de março de 2019
Uma homenagem às mulheres que sofreram a diferença, que lutaram pela sobrevivência e para que nunca sejam esquecidas..
Há mulheres que lutam ....
ontem lutei para ser gente
lutei para ser independente
lutei para me expressar
ontem lutei para votar
hoje luto para ser inteligente
luto para ser diferente
luto para ser profissional
hoje luto para não ser banal
luto por tudo e por nada
por isto e por aquilo num vai vem..
luto para ser amiga, namorada
menina, esposa, amante e mãe
a luta num rodopiar...
ontem lutei
hoje luto
e continuarei a lutar
Lutarei se eu quiser
porque sou Mulher
Maria Dias.
Março 2017
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