domingo, 20 de julho de 2014


A Amizade

Pudera eu ter o dom de um poeta
Ou de um músico…
Para poder colocar em verso e melodia
O sentimento da amizade…
Ah como eu gostava, como eu queria
Poder defini-lo e transcrevê-lo
Esse sentimento da verdade.

A amizade é um sentimento
Tão único e especial,
Troca, amor, cumplicidade
É afeto, é respeito, é vital,
É carinho e honestidade.

A amizade duplica a alegria
E divide as tristezas,
É uma completa melodia
Que diminui as distâncias
Fortalece as certezas
E ultrapassa todas as ânsias…

A amizade, sim, a amizade
É uma troca repartida
De uma cumplicidade,
É a doce canção da vida
É a poesia da eternidade!


Maria Dias

Julho 2012

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Hoje não há luar, a noite lançou um xaile negro sobre a terra. Preciso da tua luz para me iluminar, preciso que me venhas abraçar."

Maria Dias

sexta-feira, 11 de julho de 2014

"A idade é uma repentina doença: surge quando menos se espera, uma simples desilusão, um desacato com a esperança. Somos donos do Tempo apenas quando o Tempo se esquece de nós.” 

Mia Couto


Mãe
Há muito que te vens apagando
Esquecendo os tempos idos,
Há muito que vens mudando
Em quase todos os sentidos

Aos poucos fomos te perdendo
E as lembranças foram contigo
Inevitável irmos sofrendo
Irrecuperável o tempo antigo   

Ficavas por vezes ausente
Mas ias andando devagarinho,
Estavas connosco presente
Podíamos dar-te todo o carinho

Agora de repente, ficaste doente
E eu vivo num drama interior
Gostaria de penetrar na tua mente
Para te poder dar o meu amor

Ontem dei-te a papa como se fosses criança
Como tantas vezes o deves ter feito
Quando era menina e me vestia de esperança
Em tempos de alegria e de outro jeito

Hoje deste-me a mão e com força a apertaste
Olhaste-me, fixando-me com ternura              
Pergunto-me, o que será que pensaste
Com esse rosto sofrido e mão em tremura

Mãe, tenho uma “confissão” a fazer
Perdoa-me deste meu sentir,
Por mais que isso possa doer,
Por mais que me custe pedir,
Mas antes te quero ver morta
Do que saber que estás a sofrer!





Maria Dias
Julho 2014


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Nas sombras da madrugada
Escuto o silêncio da escuridão
Não tenho relógio nem nada
Senão ouviria o tic tac …
Mas só ouço o meu coração

O meu coração está apertadinho
E quer saltar do meu peito
Tem segundos que geme baixinho
Outros canta, mas do mesmo jeito

Se choras, ao menos embala-me
E leva-me nas asas da fantasia…
Se cantas, ao menos fala-me
De amor, de paz e de poesia


Maria Dias
27.Junho.2014 às 5h da madrugada


Insónia


Entraste Insónia maldita
Sem ninguém te convidar
O que queres oh desdita
Que eu não queria acordar

Despertas os meus sentidos
Revoltas os meus pensamentos
São momentos perdidos
num turbilhão de sentimentos

Por favor tem dó e vai-te embora
Liberta-me e à minha mente
Deixa-me no aqui e agora
Quero dormir serenamente

Se ao menos a inspiração
Viesse contigo para ficar
Esqueceria de todo a razão
Porque vieste me atormentar



Maria Dias
27.Junho.2014 às 4h da madrugada

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A roupa estendida ao vento
Parece gente a viver
Move-se em gestos sem tento
Perante o meu pensamento
Que não sabe senão ver.

Mas o que fazem no mundo
Os homens nos gestos seus
Nada é mais firme ou profundo
Que este ar nas roupas ao fundo
Dos grandes quintais de Deus.

E eu no meu solene estudo
De como as cousas não são,
No qual compreendo tudo,
Vejo o branco agitar mudo
Da roupa sem coração.

E lembro, por diferença,
A semelhança que há
Entre a agitação intensa
Da roupa livre e suspensa
E aquela em que o homem está.

Ao sol e ao vento da vida
Livre e preso sob os céus
Oscila, coisa movida,
Mas é só roupa estendida
Nos grande quintais de Deus

Fernando Pessoa